quarta-feira, janeiro 17, 2018

REGGAEMAN RETURNS

Edson Gomes volta à Concha Acústica, um palco importante em sua carreira, com a banda OQuadro e DJ Branco, dia 28, pelo Projeto MPB Petrobras

Edson. Foto Divulgação
Maior artista solo do reggae brasileiro, o cachoeirense Edson Gomes está sempre rodando por aí com seu show, desde os estados do Nordeste até São Paulo.

Boa notícia então, saber que, no dia 28 (um domingo), ele dá uma passada em Salvador para um show na Concha Acústica, dentro do Projeto MPB Petrobras.

Além de Edson, ainda rolam apresentações do grupo OQuadro e do DJ Branco. O primeiro é um dos principais nomes do hip hop baiano e lançou um excelente segundo álbum em 2017: Nego Roque (Natura Musical).

Já o DJ Branco vem a ser um dos maiores ativistas deste movimento na Bahia. Não a toa, produz e apresenta, há mais de dez anos, o programa Evolução Hip Hop, na Rádio Educadora FM.

Para Edson Gomes, o evento tem um gosto especial, afinal, é mais um show na Concha Acústica, palco em que já fez várias apresentações históricas ao longo dos seus  35 anos de carreira.

“A expectativa é muito boa, pois é uma volta à Concha depois de um longo tempo sem tocar lá – e ainda mais por ser  em Salvador, onde toco tao pouco”, diz Edson, em exclusiva por telefone.

“Os organizadores das grandes festas, como a Prefeitura e o Governo do Estado não me relacionam na lista de cantores populares da Bahia, então canto mais em projetos privados como a República do Reggae. Quando toco em Salvador é geralmente assim”, afirma.

No repertório, além dos clássicos de sempre – Malandrinha, Árvore, Sociedade Falida e outros – Edson promete tocar algumas canções inéditas que estarão em seu aguardado próximo álbum: “O repertório é baseado nos meus sucessos e também traz algumas inéditas, como Pleito e Escribas”, adianta o músico.

OQuadro, foto Rafael Ramos
Sem lançar álbum de músicas inéditas desde Acorde, Levante, Lute (2001), ele tem planos para um disco novo ainda em 2018: “Esse ano tem previsão para um disco novo. Ainda não tenho o título, mas o repertório eu já tenho, só estou decidindo sobre algumas canções, quais entram ou não”, conta.

Nas greves da vida

Um dado divertido sobre Edson Gomes é que, em todos os movimentos de greve organizados por sindicatos locais – não importa em qual categoria de trabalhadores – o carro de som fatalmente estará tocando um playlist completo do cantor.

“Greve sem Edson Gomes não é greve”, é a anedota entre os trabalhadores.

Mas o que o próprio Edson pensa disso? Eis aqui: “Olha, eu me sinto homenageado, é claro. Prestigiado, até. Mas também explorado, né? porque eles usam minhas músicas nos protestos e greves, mas nas festividades deles, não me contratam”.

Como se pode ver, Edson continua afiado, com uma visão crítica muito clara sobre tudo – inclusive sobre a própria cena reggae.

“Sim, eu acompanho a cena, mas prefiro não citar nomes. A cena reggae é muita confusão, cada um atira pra um lado, não tem unidade, objetivo”, afirma.

DJ Branco, foto divulgação
“As músicas de pagode e axé tem  um objetivo, que é o nada. Nós não temos objetivo: o que queremos mudar, alcançar? Não existe, cada um atira para um lado, então basicamente é um ritmo”, acrescenta.

Apesar de assertivo nas opiniões, Edson é um sujeito reservado, longe de ser o tipo de artista que fica se exibindo nas redes sociais em busca de joinhas.

“Na verdade, quem lida com minha rede social sou eu mesmo. Não sou de ficar pendurado na internet. É um lance meu mesmo, bem pessoal”, afirma.

Também não adianta perguntar sobre o Brasil pós-golpe: Edson simplesmente não está interessado. “Não acompanho os assunto da ocasião. O que está acontecendo agora já acontece há muito tempo, só que agora é tudo escancarado. A política sempre foi essa, está à vista pra todo mundo ver. Eu não me envolvo com política”, conclui o reggaeman.

Projeto MPB Petrobras com Edson Gomes, OQuadro e Dj Branco / Concha Acústica do Teatro Castro Alves (Praça Dois de Julho, s/n - Campo Grande)  / Dia 28, 18 horas / R$ 60 e R$ 30

terça-feira, janeiro 16, 2018

EM NOME DO METAL

Segunda edição do Metal no Teatro tem Electric Poison, Inner Call e Drearylands


Electric Poison, foto Kely Gomes
Session idealizada por Luiz Omar, baterista da banda Inner Call, Metal no Teatro chega a segunda edição, com a própria IC, Drearylands e Electric Poison.

Como já vimos tanto a primeira quanto a segunda banda anteriormente aqui neste espaço, partimos para a terceira, que era ainda desconhecida pelo colunista.

E, fãs do metal, eis aqui mais uma grata surpresa do heavy metal baiano.

A Electric Poison, assim como as outras duas bandas deste show, faz parte de uma tendência dentro do gênero que é o resgate da sua forma mais tradicional, mais ou menos nos moldes desenhados pelo movimento New Wave of British Heavy Metal, que legou ao mundo bandas como Iron Maiden, Def Leppar, Saxon e outras.

“Este resgate da essência antiga do heavy metal está acontecendo a nível mundial. Temos hoje grandes novas bandas como Enforcer, Skull Fist, Ambush, Night Demon, Cauldron e Witchtower,  que estão realizando o que parecia estar se perdendo com a inevitável ‘aposentadoria’ dos velhos ídolos: lançar grandes canções, poderosos refrões e melodias sem descambar para a plasticidade e modismos descartáveis da música pesada moderna”, afirma o vocalista Thauan Rodrigo.

“No Nordeste temos uma tradição muito forte de metal extremo, talvez por isso ainda hajam poucas bandas de heavy tradicional. Mas o panorama nacional tem se mostrado favorável e hoje temos bons representantes como o Sweet Danger, Jackdevil, Fire Strike, Frade Negro etc. E estamos trabalhando também para ajudar a manter essa velha chama acesa”, acrescenta.

Salve o metal baiano

Fundada em 2009 por Thauan e o guitarrista Fagner Fonseca, a Electric Poison lançou em 2015 um EP de duas faixas, Evil Possession.

"O baixista e baterista são amigos de algum tempo que conheci na cena metal, e os guitarristas são amigos da época de adolescência. Morávamos no mesmo bairro e mantivemos uma banda por cinco anos que foi o embrião do que viria ser futuramente o Electric Poison. Ao término desta banda, em 2009, Fagner e eu começamos a busca por integrantes pra um novo projeto até então sem nome. Na época, ele ainda era baixista e eu baterista, e de cara chamamos nosso velho parceiro de banda, Valter Musael (guitarra). Depois disso foram vários anos de tentativa de fechar uma formação e até precisamos mudar de instrumentos pra facilitar a busca, assumi os vocais e Fagner a guitarra, até que resolvemos lançar o EP em 2015, com o pensamento de que isso facilitaria na caçada a bons músicos em Salvador. De fato, foi a melhor decisão e conseguimos o Rodrigo (baixo) e Luã (bateria)", conta.

Com Luã Farias, Valter Musael e Rodrigo Araújo, o quinteto lança em breve seu primeiro álbum cheio.

“Uma coisa que prezamos dentro da banda é ter identidade própria sem querer reinventar a roda. Há muito espaço para ser criativo dentro do estilo, soar como tal sem ser uma cópia das suas principais influências. E é isso que vocês encontrarão no vindouro disco. Um culto às raízes trazendo o que é nosso”, afirma.

“O álbum será gravado de forma totalmente independente, mas para o lançamento nós contaremos com algumas parcerias que já temos pré estabelecidas em termos de selos”, acrescenta.

Metal old shool, a Electric Poison se apresentou no último festival Palco do Rock (Carnaval 2017), além de vários palcos underground.

“Reafirmo: o metal  vem recobrando sua força e sua essência. Torcemos para que o público da cena baiana e brasileira dê mais atenção as  bandas da terra, tem muita coisa boa sendo produzida”, conclui Thauan.

Metal no Teatro II / Dia 27, 17 horas / Com Drearylands, Inner Call  e Electric Poison / Cine Teatro Solar Boa Vista / Vendas: loja Foxtrot e www.Sympla.com.br



NUETAS 

Terça Delas é hoje

Marcela Bellas, Josyara, Tati Trad e Isabela Trigo fazem a session Terça Delas hoje na Varanda do Sesi Rio Vermelho. 22 horas, R$ 15.

Las Carrancas surf

A banda de surf music Las Carrancas se apresenta no Groove Bar quinta-feira, em horário de gente: 19h30. Participação do  DJ Ivan Motosserra (não é a banda, é o cara). No Sympla: R$ 10. R$ 15 na hora.

Transe, Tauã, Loucos

O NHL Festival 13 é só novidades: o duo capixaba Transe, o olindense Tauã, o oco do átomo (projeto paralelo de Heitor "Laia Gaiatta" Dantas) e Monos Loucos, nova banda surf garage de Fabão (Fracassados do Underground). Completando o line up, a conhecida local Soft Porn. Sexta, 20 horas, na  Qattro Gastronomia & Cultura. R$ 15.

sexta-feira, janeiro 12, 2018

REUNIÃO ROQUEIRA

Dois anos depois do fim, banda Cascadura se reúne amanhã no Largo Pedro Arcanjo para show único de celebração de 25 anos de rock 

Cadinho, Thiago, Fábio e Du. Foto Giva Santiago
Fãs do rock baiano tem um compromisso muito sério  amanhã: é o show de reunião – e comemoração dos 25 anos de fundação – da banda baiana Cascadura.

Desativada desde 2015, a banda se reúne para a ocasião aproveitando as férias do vocalista e único membro original remanescente: Fábio Cascadura Magalhães, que foi morar em Toronto (Canadá).

“(De início) A ideia era só fazer um som, tipo pega um Dubliner’s ou  o Groove Bar, um lugar assim, só pra fazer um som. Aí Thiago (Trad, baterista) deu a ideia de ter alguém produzindo”, conta Fábio.

“Chamamos o pessoal da Ruffo (Marketing Cultura e Arte), que já trabalhava com a gente nos últimos anos da banda. Aí a proporção aumentou, foi pro Pelourinho. E a recepção tem sido muito boa, o pessoal tá entusiasmado”, diz o cantor.

Destinada à eternidade, a obra deixada pelo Cascadura em seus cinco álbuns é uma das mais consistentes da música baiana em qualquer categoria.

No show, velhos fãs e novatos que nunca tiveram a oportunidade de ver a banda ao vivo ouvirão material desde o primeiro disco (#1, 1995) até o último (Aleluia, 2012).

“Ah, o velho detalhe do repertório. (Nos ensaios) A gente passa mais tempo decidindo o que vai tocar do que tocando”, ri Fábio.

“Então vamos tocar o que é mais representativo, o que as pessoas querem mais ouvir: Queda Livre, Juntos Somos Nós, Aleluia”, conta, meio que escondendo o jogo.

"Desde que saí daqui dei um tempo da música. Ainda ouço e leio bastante sobre (música), mas sem tocar. Nem violão eu tinha. Tava trabalhando muito e tinha acabado de sair do processo todo da banda. Mas mesmo depois que comprei um violão ainda tenho pouco tempo, toco uma ou duas horinhas no fim de semana, gravo uma coisa ou outra no celular para quem sabe um dia. Mas agora estou estudando (o repertório), venho tocando esses dias aqui. Isso me ajudou a sugerir o que vamos tocar no show. Os lados b não vai rolar justamente porque é urgente, só temos essa semana para ensaiar, tem dois anos que não toco essas musicas. Então vamos no que é mais significativo. Vou daqui a pouco para o ensaio e não tenho muita noção de como vai ser. Vamos sentir como é", conta.

No palco, Fábio contará com a última formação ativa da banda: Thiago Trad (bateria), Ricardo Cadinho (baixo) e Du Txai (guitarra).

Início dos anos 2000: Thiago, Fábio, Lefê e Martin, foto Sora Maia 
A este quarteto se juntará  mais um guitarrista: o veterano ex-membro Martin Mendonça. Integrante da banda de Pitty desde 2004, Martin foi da Cascadura entre o final dos anos 1990 e o início da década seguinte.

A guitarra de Martin está registrada no terceiro disco da banda, Vivendo Em Grande Estilo (2002).

“Nesse show Martin não é convidado, é membro da banda. Vai tocar o show inteiro. Nesse espaço de tempo que nos reunimos, Martin é membro da banda. É o Cascadura ali”, reitera Fábio.

“Sei que Cascadura sempre remete a mim,  mas não dava para realizar nada disso sem todos eles também”, diz.

Lá e cá

Nos últimos dois anos e meio no Canadá com a esposa, Fábio já trabalhou em tudo que é tipo de emprego: foi padeiro, cozinheiro em cafeteria, figurante em série de TV, faxineiro. Agora é auxiliar administrativo em um escritório que fornece serviços de limpeza.

“Faço pagamentos, contratos, agenda etc. Esse é o meu trampo atual. Mas é uma vida boa em Toronto. É uma cidade multicultural, com gente do mudo todo, a oferta de trabalho e cultura é vasta. Tem saúde, educação e transporte, tudo organizado. Lá você tem muita oportunidade de trabalho e aprendizado. Mas como imigrante você tem que buscar sobreviver logo de cara. Então fiz um monte coisas diferentes que gostei de aprender”, conta.

"Lá tenho algum contato com pessoas da música, brasileiros que moram lá, como o Zé Travassos, guitarrista da banda Setembro. Volta e meia a gente se encontra e faz um som. Outro amigo é um canadense que toca violão, é bom pra exercitar música. Então não tem grilo, estou bem feliz lá, estamos numa condição bem legal, o Canadá é um pais maravilhoso. Se chegar de cuca leve lá você aprende muita coisa. É outra cultura, bem multicultural. O frio não pega não. É só ficar sempre agasalhado, tem muito recurso pra se aquecer", relata.

De lá, Fábio também tem acompanhado a evolução do caos diário no Brasil pós-golpe com preocupação.

"Algumas pessoas (de lá) perguntam (quando descobrem que sou brasileiro). É uma cidade muito diversa, são muitos imigrantes, quase metade da população de Toronto é de fora do Canadá, então não é todo mundo que tá informado (sobre o Brasil), mas muita gente sabe do golpe. Foi um golpe diferente, judiciário, mas no âmbito de lá reverbera muito o que é noticiado na Inglaterra e nos Estados Unidos, a imprensa canadense reverbera muito as imprensas americana e britânica. Então, no âmbito das pessoas mais bem informadas elas perguntam, até porque o Brasil estava com uma imagem muito boa até as Olimpíadas. Quando falava que era do Brasil o pessoal gostava, era bacana, bonito, as pessoas legais, entende? Era visto como um país que estava num bom caminho. Hoje a imagem (que eles tem lá) é de alguma coisa errada, fora do rumo. Mas essas são as pessoas muito bem informadas, um pouco acima da média. De minha parte, eu fiquei muito mais preocupado por estar distante, por que as coisas se desenrolaram de uma forma muito cara de pau, o golpe foi muito na tora, uma imposição, a fatia da população que apoiou foi insignificante, mas foi fundamental para que se fomentasse a ideia de que a população apoiou o golpe. Aí vem Temer, com um bando de pessoas que são o que há de pior na política, assaltando as instituições", observa.

“Governo ilegítimo, instituições se esforçando para dificultar a vida do cidadão. Agora o Brasil é isso aí. E esse ano estamos em um ponto perigoso, com a eleições se aproximando. Tudo pode acontecer. Já transferimos nosso titulo para votar para presidente lá em Toronto,  isso é muito importante”, conclui.

Cascadura: 25 anos / domingo, 17 horas / Largo Pedro Archanjo / R$ 40 e R$ 20 / Vendas: Sympla

MÚSICA EM FAMÍLIA

Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso vão lotar Concha amanhã com repertório de inéditas e clássicos


Zeca, Tom, Moreno e.. ih, esqueci. Foto Jorge Bispo
Tranquilamente um dos shows mais concorridos desta temporada de verão, Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso deverão lotar a Concha Acústica do Teatro castro Alves amanhã com sua elogiada apresentação familiar em conjunto.

Na estrada desde outubro, os quatro chegam a Salvador depois de estrear no Rio de Janeiro e passar por São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Fortaleza.

No repertório, canções inéditas (inclusive dos meninos) e os clássicos do paizão.

Em março, o show vira CD e DVD ao vivo – inclusive, o primeiro single já saiu: Todo Homem, composição de Zeca cantada em glorioso falsete, coisa de deixar os Bee Gees verdes de inveja.

“Acho que Prince nos primeiros discos me influenciou. Talvez cantoras e cantores que cantam agudo, mas não em falsete, do soul, R&B e disco music também”, conta Zeca, em exclusiva por email.

É de se imaginar a reação de Caetano, Moreno e Tom quando Zeca lhes mostrou essa canção, mas este garante que não houve assim, uma surpresa.

“Não acho que se surpreenderam, na verdade o falsete vem também deles. Em Sertão, linda parceria de Moreno com meu pai, gravada no primeiro disco da banda +2, que Moreno faz parte, ele canta em falsete. O disco é do ano 2000”, lembra.

“Ouvia muito o disco e assisti ao show quando criança. Meu pai no disco Zii e Zie (2009) canta em falsete. E Tom pode não mostrar muito no show, mas tem um falsete belo”, conta.

Em todo caso, o jovem músico deu um drible quando perguntado se não pesou a responsabilidade de representar a família no novo projeto: “Eu fiquei feliz. Gosto da música e tenho prazer em mostrá-la”, resumiu  Zeca.

Para Cézar e as mães

Tom, Zeca, Moreno e um senhor que não sei quem é. Foto Jorge Bispo
Filho do meio, Zeca é o único dos três irmãos Veloso que não tem uma banda – lembrando que Moreno integra a +2 (com Alexandre Kassin e Domenico Lancelotti) e Tom toca violão na banda carioca Dônica.

No texto de divulgação do show, Caetano conta que “Zeca, depois de passar parte da adolescência experimentando com música eletrônica, começou a compor solitariamente”. Eventualmente, desencanou da música.

Até que: “Justo quando achava que não havia para si mesmo um caminho nessa atividade, compôs um grupo de canções comoventes. Ao ouvir uma delas, Djavan exigiu que ele a mostrasse em público. Ele resistiu, mas nesse show finalmente obedece a Djavan”, relata o pai.

O show em conjunto com Caetano e os irmãos, Zeca conta, o pegou meio de surpresa: “Meu pai me disse, no início do ano passado, ter vontade de fazer esse show. Quando ouvi, resisti. Não pensava em trabalhar com música dessa maneira e nesse momento. Não estava preparado, ainda não estou. Não sou músico habilidoso”, afirma o rapaz.

“Tinha uma base musical e aprimorei fazendo o show, mas ainda não tenho nível profissional. Depois da proposta, pensei durante um tempo e decidi topar. Foi uma boa escolha, tem sido uma enorme alegria”, conta, Zeca.

Dedicado à memória de Dona Canô, à Dedé Gadelha (mãe de Moreno) e Paula Lavigne (mãe de Zeca e Tom), além do violonista – e mestre de Tom – Cezar Mendes, o show teve o repertório selecionado pelos quatro membros da banda.

“O processo foi bem democrático, mas meu pai liderava. Logo no início, começamos a usar como base um setlist em seu computador, atualizado manualmente por ele. Todos nós pedíamos e sugeríamos coisas, mas ele guiava. Ele é o mais capaz de dirigir um show e pensar um repertório, funcionou bem dessa maneira”, relata Zeca.

“Tivemos pouco tempo para preparar tudo, esse método ajudou a organizar e ganhar tempo. Acho que não poderiam faltar músicas dedicadas às nossas mães, como Não Me Arrependo e Ela e Eu, Um só Lugar (parceria de Tom com Cezar Mendes, o grande homenageado desse show). E certas músicas de cada um de nós filhos, como Clarão, música inédita de Tom, Todo Homem minha e Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê, primeira parceira de Moreno com meu pai. O show também tem as muito conhecidas Leãozinho, Oração ao Tempo, Gente, Alegria Alegria e outras”, conclui Zeca.

Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso / Amanhã, 19 horas /  Concha Acústica do Teatro Castro Alves /  R$ 120  e R$ 60 / Camarote: R$ 240 e R$ 120 / Classificação: 16 anos / Vendas: bilheteria do Teatro Castro Alves, nos SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista ou pelo site www.ingressorapido.com.br INGRESSOS ESGOTADOS

terça-feira, janeiro 09, 2018

LAIA GAIATTA FAZ CURTA TEMPORADA NO TEATRO GAMBOA NOVA COM NANCYTA E MOU DE CONVIDADOS

Uru, Heitor e Antenor, na foto de Renan Barbosa
Há quem entenda “música” apenas como aquilo que toca no rádio.

Ou como o som que Anitta usa para a trilha sonora de seus clipes. (Nada contra Anitta, OK?).

Felizmente, nem todos pensam assim.

A banda local Laia Gaiatta, que se define como um “trio de blues e artrock experimental”, pensa sua música de forma completamente inusitada.

Formada por Heitor Dantas (guitarra, gaita, kazoo e voz), Uru Pereira (fagote) e Antenor Cardoso (percussão e synth), a Laia faz uma curta temporada (duas datas) agora em janeiro no Teatro Gamboa Nova para mostrar as músicas do seu EP, intitulado Vaia (2016).

“O show Vaia vem se apurando há cinco anos, tempo de existência da banda. Nesse período, nosso repertório permaneceu quase que inalterado, sendo que os arranjos e a forma de tocar foram amadurecendo”, conta Heitor.

“Além das músicas do EP, tocamos parcerias com letristas como Orlando Pinho e Ricardo Sangiovanni e uma versão de uma música de Walter Franco (Feito Gente)”, diz.

Claramente vanguardista, a Laia tem um certo humor, como uma arma eficiente: "Acho que o humor ajuda a enxergar as coisas por ângulos diferentes. E acho que no nosso trabalho é muito importante tirar o chão dos pés do ouvinte, levá-lo para fora de seu habitat, arrastá-lo para outra dimensão, seja isso com o humor, com o non-sense, o surreal, o dada", observa. 

Recado do homem-alvo

Laia Gaiatta e seu mascote, o homem-alvo, Foto Daniel Guerra
No palco, a Laia receberá dois convidados, um em cada dia: Mou Brasil (no dia 20) e Nancy Viégas (dia 27).

“Nancy e Mou são pessoas que têm nossa inteira admiração. São artistas com trabalhos desafiadores, o tipo de artista que nós da Laia buscamos ser. Nada contra, mas a música de Salvador é feita pra festa. E fazer arte ao invés de entretenimento aqui, como Nancy e Mou fazem há anos, é um ato de extrema subversão”, afirma.

“Tocaremos duas músicas do repertório de Nancy e uma música instrumental composta especialmente para a ocasião por Mou”, acrescenta Heitor.

Elaborado, Vaia é praticamente um espetáculo, com direito a projeções do VJ e designer João Pucci e atuação do performer Rafael Rebouças.

“Eu e João esmiuçamos o repertório pensando em uma série de imagens que dialogasse com cada uma das músicas. O resultado são videoclipes manipulados minuciosamente em real time”, conta.

“Também interage com o som e as imagens o performer Rafael Rebouças que personifica o homem-alvo, uma figura onírica criada para a última sessão de fotos da Laia. Diferente das outras apresentações, nessa temporada o homem-alvo tem um recado muito sério pra dar ao público presente e para isso será claro e direto”, avisa Heitor.

Sempre ativa, a Laia planeja lançar seu primeiro álbum no segundo semestre.

"Depois do carnaval vamos lançar o EP Amor: Sem Letra, em Litros, com a gravação da música Amor Sem Letra, que fizemos em 2016 na Audio Rebel (RJ), alguns remixes e uma conversa gravada sobre a canção. Queremos também circular pelo interior da Bahia e produzir o O Tal do Autoral Vol. 2, uma temporada com artistas convidados dividindo a noite. Também queremos fazer um show mensal aos domingos transmitido via web. E provavelmente no segundo semestre estaremos lançando o disco cheio", conclui.

Show: Vaia, da Laia Gaiatta  / 20 e 27 de janeiro, 20 horas / Teatro Gamboa Nova (Rua Gamboa de Cima, 03, Aflitos) R$ 20 e R$ 10



NUETAS

Flenks: só gente grande

Formada por grandes músicos de larga experiência no cenário nacional, a banda  Flenks se apresenta em Salvador hoje, no B-23. Se liga na formação: Fernando Nunes (baixo), Cesinha (bateria, percussão) e Fernando Caneca (guitarra). Ah! Armandinho Macedo participa. 21 horas, R$ 30.

IFÁ, Luedji, Tássia

A incrível IFÁ convidou as cantoras Luedji Luna e Tássia Reis para cantar no show Negra Força Feminina. Sexta-feira, 20h30, na Praça Tereza Batista, R$ 50 ou R$ 30 + 1kg de alimento não perecível.

Domingão do Eddie

A banda pernambucana Eddie bate ponto em Salvador com seu baile neste domingo, 18 horas, no Pátio da Igreja do Santo Antônio. R$ 30.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

QUADRINHOS QUENTES

De férias ou não, o verão também é tempo de botar a leitura de quadrinhos autorais em dia. Aqui, cinco excelentes opções entre o drama familiar,  a biografia histórica, o realismo fantástico e o humor escrachado

Bem-vindo a Palomar
Coisa boa para quem está de férias no período que ora nos torra o juízo – leia-se verão –, é botar a leitura em dia.

Se for história em quadrinhos então, é juntar o útil ao delicioso.Aqui, selecionamos cinco opções, todas lançadas recentemente e aptas ao mais estrito prazer estético e literário.

Sim, porque HQ é literatura também. Sabia não? Se não sabia, acompanhe e comprove.

O destaque desta leva é uma das obras mais espetaculares já produzidas para esta mídia.

Diastrofismo Humano é o livro dois da saga Crônicas de Palomar, do quadrinista californiano Gilbert Hernandez.

Gilbert, ao lado do seus irmãos Jaime e Mario, criou nos anos 1980 uma revista independente chamada Love & Rockets.

Nela, cada um deles criou  um universo ficcional próprio (exceto Mário, que logo pulou fora).

Jaime criou o universo conhecido como Locas, onde o título da série (Amor & Foguetes) fazia sentido em torno de Maggie, uma mecânica de foguetes vivendo aventuras amorosas em um contexto chicano e punk rock.

Já Gilbert, meio inspirado no realismo fantástico  de Garcia Márquez, criou a cidadezinha de Palomar, um recanto esquecido em um país indefinido da América Latina.

Ele povoou essa cidade de um dos conjuntos mais inesquecíveis de personagens em qualquer genero ficcional.

E contou a história deles atravessando gerações. Nas suas histórias, vemos esses personagens nascendo, crescendo, enlouquecendo, indo e voltando da cidade grande, tendo filhos – vivendo, enfim.

As maravilhosas mulheres de Palomar 
Há o grupo de amigos em torno de Heráclio, um homem de família com um filho fora do casamento,  os quais acompanhamos desde crianças.

Há Luba, a voluptuosa bañadora de Palomar que tem uma tropa de sete filhos – e que se torna prefeita.

Há Tonantzin, a bela vendedora de quitutes exóticos que se politiza ao extremo e acaba cometendo um ato de autoflagelação. E por aí vai.

Neste volume, um assassino serial ataca na humilde cidadezinha, o que é visto como um sinal da mudança dos tempos.

Como os habitantes de Palomar reagirão? Quem é o assassino? Cativante, Diastrofismo Humano pode ser lido isoladamente sem prejuízos para o entendimento da trama.

Se quiser começar do início, busque Sopa de Lágrimas, o livro um de Palomar. Mundialmente aclamada, as Crônicas de Palomar são uma aula de narrativa sequencial que transcende gêneros literários.

Lester, o alter ego de Jeff Lemire em Condado de Essex
Essex e Rosa Vermelha

Similar à Diastrofismo  é Condado de Essex, do canadense Jeff Lemire.

Hoje mais conhecido por assinar HQs mainstream como Arqueiro Verde (DC) e Velho Logan (Marvel), Lemire tem em Essex seu breakthrough, a obra que o revelou ao público, abrindo caminho para HQs autorais como O Soldador Subaquático (Mino) e Sweet Tooth (Vertigo).

Apontada pelo Canadian Broadcasting Corporation (TV pública), como um dos “cinco romances canadenses essenciais da década de 2010”, Essex é a obra mais pessoal de Lemire, ambientada na comunidade rural em que ele cresceu.

Rosa L. desfralda suas ideias em Rosa Vermelha
A edição lançada no Brasil pela Mino traz a obra completa em seus três volumes: Contos da Fazenda, Histórias de Fantasmas e Enfermeira do Interior.

Outra leitura densa é Rosa Vermelha, a biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo (1871-1919), filósofa, economista e revolucionária alemã.

Com uma história de vida dramática e riquíssima, Rosa é retratada por Kate Evans como uma pessoa extremamente passional, mas também de grande capacidade intelectual – como de fato, o era.

Com o feminismo (novamente) em alta, leitura altamente recomendada para se iniciar na vida e obra desta grande mulher.

Em tempo: a estudiosa Isabel Loureiro, autora do livro Rosa Luxemburgo e o dilema da ação revolucionária (Unesp, 2005) assina o ótimo texto de apresentação da edição lançada aqui pela Martins Fontes.



Bar e Tabloide

A sensacional artes tresloucada de Bar, do Coletivo Miolos Fritos
Mas chega de falar de HQ gringa. Faz tempo que o Brasil não deve nada ao resto do mundo – que aliás, tem importado (e premiado) muitas obras e quadrinistas brasileiros.

Duas das melhores HQs brasileiras lançadas em 2017 são Bar (Mino) e Tabloide (Veneta).

A primeira é um primor de estética underground, coisa de deixar a turma da inesquecível Chiclete Com Banana (a HQ, não a banda) orgulhosa.

Exalando paulistanidade, Bar reúne diversos episódios ambientados em um boteco pé-sujo do centro de São Paulo.

Samantha, a destemida repórter de Tabloide
Com personagens típicos deste tipo de cenário, a HQ assinada pelo coletivo Miolos Fritos tem na arte enlouquecida e ultradetalhada seu ponto forte, além do domínio do palavrório paulistano na boca dos personagens, um mais engraçado que o outro.

Já Tabloide, apesar de trazer proposta totalmente diferente, tem em comum a ambientação paulistana.

Thriller policial com toques surrealistas, traz uma destemida jornalista investigativa, Samantha Castello, obcecada em descobrir a verdade sobre o estranho caso de um cadáver vestido de noiva, encontrado à beira de uma represa.

Na sua busca, Samantha mergulha no que há mais bizarro na marginalidade paulistana, incluindo escravos bolivianos, assassinos pagos e uma sociedade secreta.

Ágil, a trama se desenrola cheia de detalhes que prendem o leitor página após página. Aguardamos agora  uma merecida e bem produzida adaptação para o cinema.

Diastrofismo humano / Gilbert Hernandez / Tradução: Chris Siqueira / Veneta / Tradução: / 256 páginas/ R$89,90

Rosa Vermelha / Kate Evans / Tradução: Marcelo Brandão Cipolla / WMF Martins Fontes / 232 páginas/ R$ 44,90

Bar / Breno Ferreira, Benson Chin e Adriano Rampazzo / Mino/ 176 páginas/ R$ 64,90

Condado de Essex / Jeff Lemire / Mino / Tradução: Dandara Palankof / 512 páginas/ R$ 98

Tabloide /  Leandro Melite / Veneta/ 136 páginas/ R$ 74,90

quinta-feira, janeiro 04, 2018

DOMINGÃO PESADÃO

Em turnê pelo Brasil desde julho, o ex-Angra Edu Falaschi chega à Salvador com o show Rebirth of Shadows domingo, no Teatro ISBA

Edu Falaschi em ação. Foto Nina Lana
Subgênero do rock que prosperou à margem dos meios majoritários de comunicação, o heavy metal no Brasil segue firme e forte com mercado e ídolos próprios.

Um deles, o cantor Edu Falaschi (pronuncia  falásqui), acompanhado de super banda,  aporta domingo em Salvador com o show da  turnê Rebirth of Shadows.

Na estrada desde julho, a turnê já varreu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e agora sobe para o Norte e o Nordeste, com direito a tour bus plotado, coisa de dar inveja em astro sertanejo.

“Foi uma grande e grata surpresa ver o quanto a turnê foi bem recebida e o quanto os fãs queriam ver essa celebração”, comemora Edu em entrevista.

Feliz com o sucesso da empreitada, ele avisa que a turnê, pelo jeito, não tem data para acabar.

“A turnê continuará e será organizada em períodos. Já temos pedidos do exterior também, então estamos organizando tudo para poder dar o melhor possível para os fãs de todo o planeta”, diz.

Só nesta segunda “perna” do giro nacional, iniciado 8 de dezembro em Americana (SP), são 23 datas, passando por Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Paraná e São Paulo – capitais e cidades do interior.

No show, Edu se apresenta com músicos virtuose, condição sine qua non para o heavy estilo clássico que o tornou famoso: Aquiles Priester (bateria), Fábio Laguna (teclados), Raphael Dafras (baixo), Diogo Mafra e Roberto Barros (guitarras).

Edu, assim como Aquiles e Fábio, são ex-membros do Angra, uma das principais bandas brasileiras de heavy metal.

“Essa é uma turnê de reunião entre três membros originais das turnês e álbuns Rebirth (2001) até o Aurora Consurgens (2006). Vocal, Bateria e Teclado. Aí chamei uma galera nova, mas muito experiente pra completar o time. É incrível o entrosamento que já rola. Parece que estamos juntos há muitos anos”, conta.

“(O repertório) É principalmente baseado nos álbuns  Rebirth (2001) e Temple of Shadows (2004). São shows muito especiais. Salvador terá o melhor show de heavy metal que já ocorreu em terras baianas”, afirma o entusiasmado cantor.

"Colocamos músicas que não tocamos na outra turnê em julho até porque repetiremos algumas cidades da outra vez! E por exemplo em São Paulo, eu estou trazendo o Kai Hansen, membro da banda alemã Helloween! Ele gravou comigo uma música no disco Temple of Shadows, e em 21 de janeiro e vem para cantar comigo ao vivo a mesma canção", conta.

Edu e a rapaziada da banda da turnê. Foto Rafaela Pessoa
No Top 5 mundial

Mas quem é esse cara? – pode estar se perguntando o(a) leitor(a) incauto(a).

Com mais de vinte anos de estrada, Falaschi iniciou a carreira na banda Symbols, ainda nos anos 1990.

No ano 2000, a virada: entrou no Angra, substituindo outra lenda, André Matos.

Quando saiu em 2012, já era nome consagrado no Brasil e no exterior, com mais de um milhão de álbuns vendidos.

Formou a banda Almah, com a qual seguiu gravando discos e fazendo turnês mundo afora.

No Japão, por exemplo, Edu é um ídolo, tendo sido eleito um dos cinco melhores cantores de heavy metal do mundo por cinco  vezes consecutivas pela revista especializada Burrn.

“Claro que fiquei feliz, foram cinco anos consecutivos na lista entre os cinco primeiros. Mas pra mim o importante é manter os pés no chão e viver a vida real. Não caio nos truques do sucesso. O ego é destruidor de vidas e carreiras, então prefiro me concentrar na música e na minha família”, ensina.

Sobre o fato de ser tão bem sucedido mesmo sem músicas tocando no rádio ou em especiais da Globo, Edu lembra que "O Heavy Metal nunca dependeu da grande mídia! Apesar de ter feito muita TV importante pelo mundo, não foi isso que determinou o sucesso do Angra ou da minha carreira! O fã de metal não se ilude e não é catequizado pela comunicação de massa! Ele busca a música, a qualidade, existe uma conexão emocional muito grande entre o fã e suas bandas preferidas!".

Uma curiosidade é que, além dos fãs do metal, ele é querido dos  fãs de animês por conta da gravação do tema dos Cavaleiros do Zodíaco. Mas nem adianta pedir a música no show.

Edu. Foto Nina Lana
“Faz tempo que não faço (essa música). Estou 100% concentrado na carreira autoral. O desenho  me ajudou a conquistar um público mais jovem desde que gravei a lendária Pegasus Fantasy,  um hit nacional! Lembro de ter 80 mil pessoas pedindo pra cantar essa música no Rock in Rio”, ri.

Sobre as perspectivas para 2018, Edu afirma que ainda está pensando só em dar continuidade à turnê, sem planos para gravar material novo.

"Depende de muitas coisas! Tudo pode acontecer! Mas estamos trabalhando passo a passo! Eu tenho muito o que fazer ainda com essa turnê! Ainda temos muitos lugares pra tocar e levar a nostalgia e emoção pra esse público maravilhoso que nos segue desde 2001! O show de Salvador vai ser histórico porque lembramos sempre do show na Concha Acústica onde tocamos para cinco mil fãs e estaremos de volta com as mesmas músicas daquela época e com o vocalista, baterista e tecladista originais daqueles tempos! Será emoção pura! Faltam poucos ingressos para lotarmos o teatro ISBA! Quero ver aquilo abarrotado!!! E ouvir a voz de toda uma geração que nos encantou no início dos anos 2000!!",  conclui.

Edu Falaschi: Rebirth of Shadows Tour / Domingo, 18 horas / Teatro ISBA (Ondina) / R$ 100 e R$ 50 / 16 anos

terça-feira, janeiro 02, 2018

EM BUSCA DO PRÓPRIO CAMINHO

Guitarrista de Pitty, Martin Mendonça faz show solo no Sesi com canja de Fábio Cascadura

Martin. Foto Caroline Bittencourt
O verão é a estação em que os músicos baianos (que moram fora) migram de volta e aproveitam para fazer shows.

Bom pra eles – e pra gente, que gostamos de vê-los, antes de baterem asas de novo.

Guitarrista de Pitty, Martin Mendonça aproveita a temporada para fazer shows de divulgação do seu trabalho solo.

Intitulada Verão do Amor, a mini-turnê  de Martin já passou por Catu (no dia 23), passa por Salvador nesta sexta-feira NESTE SÁBADO (foi mal aê, Martin) e fecha em Serrinha dia 12, no 788 Pub.

Acompanhado dos experientes Ricardo Cadinho (baixo) e Vitor Brasileiro (bateria), Martin vai mostrar ao público canções dos seus dois álbuns solo: Dezenove Vezes Amor (2010, em parceria com Duda, baterista de Pitty) e Quando Um Não Quer (2014).

“O repertório é composto de músicas dos meus dois discos solo, Dezenove Vezes Amor e Quando Um Não Quer, e algumas das parceiras que tenho nas bandas das quais fiz/faço parte”, conta.

“Já fiz alguns shows desse disco em Salvador mas nenhum com e estrutura que eu tenho em mente pra chamar de 'show de lançamento'. Por estrutura me refiro a ter bastante tempo pra ensaiar com a banda, elaborar os arranjos e fazer o show completo, com todo o repertório e poder ainda convidar artistas que fizeram parte da história do disco. Também teremos a participação de dois dos muitos artistas que colaboraram no disco: Fábio Cascadura e Leo Cavalcanti, cantor paulistano convertido em soteropolitano que gravou as vozes da faixa Algum Lugar”, acrescenta.

Em Quando Um Não Quer, Martin fez seu primeiro solo de fato, com canções de caráter íntimo e pessoal. Na sonoridade, aqui e ali, vemos que semelhanças com o som que desenvolve na banda de Pitty - ainda que sejam visíveis (ou melhor, audíveis) os esforços do artista para imprimir uma marca 100% autoral própria.

"Rapaz, é curioso você apontar semelhanças pois é super difícil, pra mim, fazer essa análise e acabo conseguindo reconhecer só as diferenças. Essa parte do som mais próprio acaba sendo muito natural, uma vez que boa parte do material dos meus discos é composta por canções que escrevi e que acabaram não sendo aproveitadas nos outros projetos ao não se encaixarem neles ou por terem um caráter muito pessoal. Um fato que resume bem isso aconteceu quando estávamos compilando material para o que viria a ser o Chiaroscuro (terceiro disco de Pitty): a música Strange Days, ainda sem letra, figurava como uma possibilidade até que um dia Pitty virou pra mim e disse 'man, não dá pra outra pessoa gravar isso, tem que ser você, isso tem demais a sua cara'. Nunca vou saber se era verdade ou só uma desculpa pra ela escapar sem me magoar, hahahaha, só sei que aconteceu e eu fiquei super feliz por ser assim", relata.

É bom lembrar que, além de Pitty, Martin conta no currículo com o duo Agridoce (com a própria Pitty), uma passagem pelo Cascadura e participações em trilhas sonoras para os filmes Uma História de Amor e Fúria (2013) e Muita Calma Nessa Hora (2010).

Sobre o Agridoce, o guitarrista conta que não sabe se algum dia ele e Pitty voltarão a atuar sob esse nome, mas também não descarta a possibilidade. "Não dá pra responder assim (se algum dia volta). O Agridoce foi uma experiência incrível pra gente, um jorro de criatividade, experimentalismo e liberdade criativa sem paralelo na minha carreira. A porta fica sempre aberta, mas se vamos ou não entrar nela de novo a gente não sabe", diz.

Solo é gratificante

Foto Ana Tatsumi
Residente em São Paulo há quase uma década, Martin conta como está vendo o atual status do cenário do rock independente na capital paulista: "Existe sim (um cenário independente) e apesar dos revezes, acredito que a cena alternativa está vivendo um momento muito fértil e prolífico. A arte está cada vez mais descolada de seu caráter de 'mercado', e isso é bom e ruim ao mesmo tempo. É ruim porque fica super difícil pra quem pretende ganhar algum dinheiro com isso, e eu vivo isso na pele. Mas por outro lado isso é libertador. Enxergar a arte mais como expressão do que como meio de subsistência faz com que o artista foque mais em ser relevante do que funcional", afirma.

Em casa em Salvador, Martin faz uma reflexão bastante pertinente sobre o significado desse show e o momento em que ele se encontra na carreira: “Tô muito feliz de poder fazer esse show, nesse lugar, com essas pessoas. É como um encerramento de ciclo pra mim e, apesar de já estar há tanto tempo em São Paulo, ele acontecer em Salvador faz com que tenha um significado muito especial. Me dá um monte de trabalho, e custa um tanto de dinheiro levar meu trampo solo adiante, mas a recompensa não tem paralelo”, afirma.

“É como um investimento em algo que não consigo definir, só parece certo fazer e eu continuo. Eu preciso contar minhas histórias, pra quantas pessoas forem, onde for. Estamos passando por tempos muito nebulosos mas acredito que, longe de ser um delírio utópico, vamos sair dessa vivos e fortalecidos. Quando a onda passar fica quem não deixou de remar”, conclui.

Martin & Banda: Quando Um Não Quer / Participações de Fábio Cascadura e Leo Cavalcanti SÁBADO, Teatro Sesi Rio Vermelho, 20 horas / R$ 20 e R$ 10



NUETAS

A Terça é toda Delas

Grandes musicistas, Marcela Bellas (guitarra), Josyara (violão), Tati Trad (baixo) e Isbela Trigo (percussão) juntam as forças a  fazem a temporada Terça Delas! nos dias 9, 16, 23 e 30 deste mês na Varanda do Sesi. No set list, autorais e releituras de sucessos da MPB. 21 horas, R$ 15.

Sávio, Desassossego

Mais baianos que voltam no verão: Sávio Andrade (do grupo vocal MP7) faz duas noites do show  Desassossego no Teatro Sesi, nos dias 9 e 10. Repertório de autorais, mais Caetano, Chico etc. 21 horas, R$ 40 e R$ 20.

Cascadura! Dia 14!

Ainda mais baianos de volta: Fábio Cascadura voltou de Toronto em férias e convocou a galera  para um show comemorativo dos 25 anos de fundação  Reunião 25 Anos da banda. Show único e imperdível. Dia 14, 17 horas, na Praça Pedro Archanjo. Ingressos: Sympla.com.

SANATÓRIO GERAL

Retrospectiva: Em 2017 Anitta reinou, o transgênero virou gênero (musical), os medalhões medalharam, os baianos comandaram e o rock continuou indesejado

No ano em que Anitta reinou de cabo a rabo (sem trocadilhos), a música – popular, erudita ou alienígena – teve que dar um duro danado para se manter íntegra.

Afinal, em um mundo que se debate contra um levante fanático religioso / conservador / fascista  temporão, até a mulher do biquíni de fita isolante precisou dar lá suas cotoveladas nos ditadores de regras sobre vidas e úteros alheios.

Não que 2018 vá ser mais suave. Com eleição e Copa do Mundo despontando no horizonte, certamente não será.

Mas aqui e agora falamos sobre o que já foi: o ano de 2017, aquele em “trânsgenero” praticamente se tornou... gênero. Musical, bem entendido.

Na onda do empoderamento das minorias – onda mais que necessária, bom frisar – artistas trans como Pablo Vittar, Liniker e a banda As Bahias & A Cozinha Mineira levaram o ancestral imaginário “transformer” loureediano às casas da tradicional  família brasileira com músicas de fazer RuPaul corar debaixo do pancake.

Mas isso é bom,  é ruim ou nem um nem outro? Em termos estritamente musicais, há controvérsias. Já em termos políticos, isso é, com o perdão da apropriação cultural indevida, simplesmente “mara”.

Baianos no comando

Fechando o foco na Bahia-iá-iá, é preciso dizer que os artistas locais continuam sendo os mais apreciados – prova inconteste de duas coisas.

Uma: o público baiano é o mais fiel deste lado do mundo invertido. Duas: a produção musical local segue vigorosa.

Do feminejo de Simone & Simaria ao pagodão eletrônico do ÀTTØØXXÁ, à consolidação da Baiana System como um fenômeno, pela aclamação crítica de Giovani Cidreira, o delírio febril do rapper Baco Exú do Blues, a sofisticação harmônica da Pirombeira e a suavidade afirmativa de Luedji Luna, a verdade é esta: aqui, a lenha pra queimar  é infinita.

Há, obviamente, muito mais, em todos – todos mesmo! – os gêneros e estilos musicais, desde o experimental avant garde do Laia Gaiatta ao black metal internacionalmente cultuado da Headhunter DC, o bluegrass geograficamente deslocado de Gigito e da banda Muddy Town, a inovação do Duo B.A.V.I., a bela estreia tardia de Antonio Carlos Tatau, os retornos ao disco de Edy Star e do Canto dos Malditos na Terra do Nunca, o formidável segundo CD do Sertanília, a reedição com pompa d’Os Tincoãs.

E ainda teve Saravá Jazz Bahia, Maviael Melo, OQuadro, Filipe Lorenzo, JosyAra, Ian Lasserre, Matita Perê, Irmão Carlos, Pastel de Miolos, Maglore, Lívia Mattos, Malefactor, The Cross, Achiles, Márcia Castro, Daganja, Rosa Idiota, Game Over Riverside.

Poderia ficar aqui até 2018 citando artistas baianos que lançaram obras consistentes em 2017.

Sem esquecer do bem-vindo reerguimento (ainda em processo) da Orquestra Sinfônica da Bahia, uma proeza absolutamente notável em tempos tão bicudos.

Neste cenário, a realização de festivais independentes são as peças essenciais que permitiram a muitos desses artistas terem acesso às fatias de um público qualificado, interessado em novidades e músicos de renome, porém pouco badalados.

Além do Radioca (com a edição 2018 já garantida pelo Natura Musical), ganham cada vez mais peso os festivais realizados no interior, como Feira Noise e Suíça Baiana (Vitória da Conquista).

O que falta são festivais mais consolidados de jazz e blues, música regional (de raiz), rock (o Big Bands do bravo Rogério BigBross e o Palco do Rock no Carnaval penam muito para acontecer) e, claro, música erudita, algo necessário para uma cidade com a tradição de Salvador – sem contar o tal título de Cidade Criativa da Música, outorgado pela Unesco.

Medalhões

Chico Buarque – tinha que ser ele – foi alvo de polêmica entre facções feministas  por causa de uma letra sobre... adultério.

Não, não estamos em 1960. Tua Cantiga, a canção em questão, está no álbum Caravanas,  primeiro desde Chico (2011).

Caetano Veloso também teve pouco sossego em 2017. Viu uma biografia não-autorizada (A vida de Caetano Veloso, o mais Doce Bárbaro dos Trópicos) chegar às livrarias, foi perseguido e processou membros da famigerada bancada evangélica, milícias fascistas e outras criaturas das profundezas.

Fechou o ano em turnê com os filhos Moreno, Zeca e Tom, cujo show chega à Concha Acústica do TCA no dia 13.

Gal Costa e Gilberto Gil juntaram forças com Nando Reis na turnê Trinca de Ases. Milton Nascimento saiu de braço dado com Tiago "Amei Te Ver" Iorc, com quem compôs e gravou a canção Mais Bonito Não Há.

Sem um milésimo da fama de todos esses citados, vale conferir Tatanaguê, belíssimo álbum lançado em 2017 por Theo de Barros, violonista do lendário Quarteto Novo.

E outros dois membros do seminal grupo voltaram em 2017: o percussionista Aírto Moreira (com o álbum Aluê) e o indefectível Hermeto Pascoal (o CD duplo No Mundo dos Sons), ambos pelo selo Sesc.

Rock persona non grata

Impossível não citar a apresentação de Paul McCartney em Salvador em outubro último, tranquilamente o mais importante, impactante e emocionante show internacional já ocorrido nesta província.

Em termos gerais, enquanto o rock continua praticamente persona non grata na grande mídia (excetuando-se medalhões, claro), é preciso dizer que no underground ele segue firme e forte – no Brasil menos, mundo afora bem mais.

Entre os grandes lançamentos do ano, Chuck, o testamento do pioneiro Chuck Berry, lançado três meses depois de sua morte em março, é presença certa entre os melhores.

Outros grandes lançamentos foram Is This the Life We Really Want?, de Roger Waters (em outubro na Arena Fonte Nova),  Villains, do Queens of the Stone Age, Machine Messiah, do Sepultura, Colors, do Beck, Rough Times, dos alemães do Kadavar, Gargoyle, do Mark Lanegan Band, Emperor Of Sand, do Mastodon, Every Country's Sun, do Mogwai, Orc, do Oh Sees, In Spades, do The Afghan Whigs, Sky is Mine, do The Duke Spirit, V, do The Horrors, Spitting Image, do The Strypes e A Deeper Understanding, do The War on Drugs.

Voltas importantes fizeram as bandas inglesas The Jesus And Mary Chain (com Damage And Joy) e Ride (com Weather Diaries).

O ex-Smiths Morrissey marcou presença com  Low in High School e o U2 fechou o ano, com Songs of Experience.

Mas se você está com raiva mesmo, Pussycat, de Juliana Hatfield, é O Disco de 2017.

sexta-feira, dezembro 29, 2017

"ESTOU ATRÁS DE VOCÊ" REAFIRMA ESTILO PRÓPRIO DE JOHN LINDQVIST

Novo livro do “Stephen King sueco” é mais uma leitura incômoda e viciante

John Ajvide Lindqvist. Foto Mia Ajvide
Apontado pela crítica  como “a resposta sueca a Stephen King”, as obras de John Ajvide Lindqvist tem mesmo alguma similaridade com as do mestre americano do terror.

Estou Atrás de Você, seu livro mais recente no Brasil, reforça a impressão – e ao mesmo tempo reafirma seu estilo próprio.

Autor do livro que gerou o sucesso cult Deixa Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In), filme de 2008 que ganhou diversos prêmios, sobre uma menina vampira de 100 anos de idade que faz amizade com um garoto vítima de bullying, Lindqvist tem como principal ponto em comum com King a habilidade de incutir terror nas situações mais corriqueiras do dia a dia de pessoas comuns.

Em Estou Atrás de Você, a trama enfoca um grupo de pessoas aproveitando o fim de semana em um trailer park no interior sueco.

De um dia para o outro, quatro desses trailers e todos os seus ocupantes simplesmente amanhecem em outro lugar – do nada: sem explicação, explosão, nada.

Não há ninguém em volta. Não há árvores, estradas nem sinal de celular. Apenas as pessoas, seus carros e trailers, um gramado impecável até onde vista alcança e o céu sem sol.

O rádio funciona, mas, estranhamente, só toca músicas do cantor Peter Himmelstrand (1936-99), muito popular na Suécia.

Himmelstrand, por sinal, é o título original de Estou Atrás de Você em sueco. Em português, significa algo como “praia do céu”.

Perturbador e viciante

Estabelecida a situação e o cenário bizarrros, Lindqvist explora os personagens, suas personalidades  (algumas delas, perversas) e  reações.

Claro que, em algum momento, o stress e a desconfiança se instalarão – e o bicho começará a pegar entre eles.

Fosse só isso, até que tudo bem, mas o autor aumenta as apostas a partir do cenário esquisitão, introduzindo situações ainda mais assustadoras, tipo chuva ácida, criaturas sem rosto – e baldes de sangue.

É bom deixar claro ao leitor eventual que não, não há respostas fáceis em Estou Atrás de Você. Diferente de Stephen King, Lindqvist não vai explicar tudo mastigadinho ao leitor.

O que se pode garantir é, assim como em todos os outros livros do sueco, dificilmente se largará Estou Atrás de Você antes do final.

A leitura é incômoda, perturbadora – mas também altamente viciante.

Estou atrás de você / John Ajvide Lindqvist / Tradução: Renato M. de Oliveira/ Tordesilhas/ 408 p./ R$ 48

quarta-feira, dezembro 27, 2017

NOCAUTE NAS IDEIAS PRECONCEBIDAS

Lançada em vinil, ótima estreia do trio instrumental Muntchako vai do tango à guitarrada sem cair na mistureba gratuita

Muntchako: Mundiais Tchatchatchas Nocauteadores. Foto Ferreira Maia
Se algum disco em 2017 deu um nó no juízo da galera, este deve ser, sem dúvida, o álbum  / LP de estreia da banda brasiliense Muntchako.

Sem limites estéticos, o som do trio vai do tango argentino à guitarrada paraense, com escalas no forró nordestino, ska jamaicano, batidão carioca e rock planetário.

Poderia ser um horror. Poderia ser um samba do candango doido.

Mas é um dos melhores discos do ano – e um sério manifesto em favor da música instrumental, mostrando o quanto ela pode ser pop, divertida e perfeitamente acessível.

Muntchako, o álbum, foi lançado em LP (vinil) e  nas plataformas digitais. Tem poucas faixas, apenas sete.

O lance é que quase todas as faixas são  mais ou menos longas (para os padrões da música pop), entre os seis e os sete minutos.

Sem letras – exceto Cardume de Volume, com a participação da MC carioca Deize Tigrona – o álbum acabou por tomar feitio de sinfonia, como se fosse uma única e longa peça em sete movimentos.

“Desde o início, o Curumin (produtor do disco) falou que nosso som tinha muito de mixtape, de escutar tudo como se fosse uma mixtape de DJ, tudo emendado, som pra pista. Achamos muito massa, porque saiu assim, a pegada que desejávamos imprimir era essa de rebolar até o sol raiar! Faço parte de um coletivo de DJs / festa / rádio chamada Criolina e tem uma pegada super dançante. Então, quando escutamos isso, pensamos que era o caminho que estávamos seguindo inconscientemente, pero no mucho”, conta Rodrigo Barata (bateria e samples).

“Não sei por qual motivo, mas todas as nossas criações ficaram longas até aqui, exceto o single 'Young O’Brien', que foi uma encomenda para uma coletânea da companhia de teatro Os Melhores do Mundo. A música tem mais de 3 minutos (o que é muito pouco pra gente, quando tá ficando bom, acaba, hehehe), diferente das demais que chegam a ter 8 minutos, como 'Vitamina Central'. Nesta música a gente acaba se divertindo com o som e deixa rolar. Acho que não é errônea (essa sua impressão) não, várias pessoas comentam isso, e estamos na busca de produzir coisas mais enxutas, mas até agora a gente não conseguiu, e assim segue o baile”, acrescenta Macaxeira Acioli (percussão e samples), que fecha o power trio com Samuel Mota (guitarra, banjo, synths, programações e samples).

"A composição já começa com essa babilônia musical. Vamos com um riff, ou uma levada de percussão, ou uma melodia. E a partir disso vamos destrinchando, mudando e variando sem cerimônias. Linkando um som com o outro, vendo se as passagens ficam legais, se as convenções se encaixam e ajudam na mudança de uma parte para a outra. Vamos construindo no feeling, mas ao mesmo tempo com muito cuidado. Como a formação musical dos músicos é bem eclética, conseguimos transitar em várias paisagens e nos sentimos a vontade!", descreve Barata.

Sobre a edição em vinil e o trabalho com o badalado produtor, Macaxeira afirma que "Sim, somos apreciadores da bolacha preta, e olhar para a prateleira de casa e ver um vinil prensado com produção de Curumin e arte de Shiko é instigante. Estamos felizes com o material final e com toda experiência que essa produção nos deu, trabalhar com Curumas, em estúdio, foi uma grande faculdade. O cabra é um cozinheiro de som, timbreiro nato, sabe o que quer e é antenadíssimo com os sons que rolam aí afora e isso deixou a gente muito seguro. Embora tenha tirado a gente da zona de conforto em alguns momentos. Utilizando 'Emojubá' como exemplo: ele achava que a música estava muito óbvia, e nos levou para outro ambiente, picotando a música e inserindo elemento e contagens ímpares de execução, grooves ou riffs... Foi massa! E não só apenas o contato com o profissional e músico, mas a figura humana de Curumin, é um cabra de energia boa, easy going geral, e a gente se deu super bem".

"Temos fetiche e um tesão gigante pelo vinil, um sonho de muito tempo de lançar uma obra neste formato! O fato de ser grande parte instrumental e ter referências old school também ajuda. Mas o que possibilitou mesmo, foi um edital em Brasília da Secretaria de Cultura, o FAC. O valor é muito elevado, e se não fosse ele, a bolacha não sairia do papel", acrescenta Barata.

"Perseguimos um pouco essa sonoridade old school, sim. Samuca tem essa caída natural e ouvidos para timbres setentistas. Eu, particularmente, curto muito essa sujeira, e o vinil potencializa tudo isso, aquela sujeirinha gostosa de ouvir tomando um vinho e fazendo fumaça, é bom demais. A pilotagem com uma vitrola é outra coisa, abrir o encarte, sentir aquele cheirinho, colocar o disco no pino, descer a agulha e escutar aquele chiadinho... Existe poesia ali, na minha cabeça é artesanal e terapêutico, é como preparar um cigarrinho de tabaco orgânico, tem um ritual. Somos amantes do vinil", diz Macaxeira.



“Tamo no fight”

Muntchako Foto Ferreira Maia
Sigla para Mundiais Tchatchatchas Nocauteadores, o Muntchako tem uma postura combativa que se reflete em tudo que fazem: no vigor roqueiro  do som, no visual de guerreiros terceiro-mundistas e até na capa espetacular assinada pelo quadrinista paraibano Shiko, com uma lutadora de lucha libre mexicana.

“Samuca e Barata iniciaram no mundo da música tocando rock, está na veia mesmo. Curtimos uma distorção, um peso! E o Maca, mesmo vindo de uma escola de musica mais regional, é um safado de um rockêro! Matutamos muito pra chegar nessa capa. Conversamos diversas vezes com Shiko, e a nossa vontade era que essa capa representasse a luta de todos nós, a latinidade, a diversidade, a dança, o urbano, a sudorese tropical e a vontade de fazer o que gosta sem preconceitos. A pilha de meter o pé na porta e falar que 'tamo no fight'. Que vamos pra cima de qualquer situação que venha contra o que acreditamos e o que defendemos através da nossa arte, do nosso som. Que mesmo com esse momento punk que estamos passando, existe algo mais forte e duradouro”, afirma Barata.

“Deixamos Shiko bem à vontade para criar, brifamos algumas palavras soltas e temas de forma aleatória, acho que ele foi feliz em trazer esse dialogo tão preciso nos dias de hoje, uma figura enigmática, lutadora, diversa, pronta e afiada pra cair na luta contra o preconceito. Não podemos tolerar todo esse retrocesso e pensamento medieval. E é nosso papel trazer esse diálogo, num pais onde a cada 18 horas um homo-afetivo é assassinado, vítima de preconceito e intolerância. Precisamos de mais beijos e abraços, mais amor”, diz Macaxeira.

Ponta de lança da nova cena musical brasiliense, o Muntchako quer fazer bonito em palcos baianos, oportunidade que ainda não pintou para o trio. "Nó! Brasília tá em ebulição criativa! Muitas bandas, projetos, sons ecoando das garagens, casas, estúdios e ruas. A produção não para, e é muito rica.  Mas ainda faltam espaços, temos pouca circulação interna, porque temos pouco público para ver as novidades. Brasília tem pilha de escutar coisas novas, mas ainda é muito segmentado", conta Barata.

"A cidade está em ebulição, muita coisa massa rolando em Brasília, uma cidade cheia de sotaques e ritmos. E só aumenta essa mistura. Brasília tem uma cena de choro e samba muito forte, e o fomento da escola de choro tem um papel fundamental nesse processo. Além de uma cena de reggae e claro, o rock... E é legal ver bandas vendendo o almoço para comprar a janta e caindo na estrada, Almirante Shiva, Joe Silhueta, A Engrenagem, Esdras Nogueira, Consuelo, Trampa, Scalene, Forró Red Light, e a gente fica bem feliz de tá nesse meio, levando nossa misturas para outras vielas", acrescenta Macaxeira.

“Quem não ama a Bahia, não é? Com certeza ela está na formação musical do Muntchako. Desde Dorival, Gil, Caetano, Olodum, Ilê Ayê, samba de roda do recôncavo baiano, passando por Lettieres Leite e Rumpillez, Baiana System, Larissa Luz, O Quadro, Retrofoguetes, Attoxxaaa, Ministério Público Bahia... tem muito som rolando!!! E sobre ir a Bahia já estamos conversando com alguns parceiros músicos e produtores da cena, doidos pra viabilizar esse rolê! Mas ainda não temos nada certo.  Vamos construir essa ida, e quem sabe em 2018 não rola?”, promete Barata.

"Tenho laços bem estreitos com a música baiana, cresci escutando Luiz Caldas, Dorival, Banda Mel, Chiclete com Banana nos primórdios, Ilê, Sarajane, muito samba reggae e samba de roda na veia, além de olhos voltados para um dos berços da percussão no Brasil, em cada esquina um percussionista corda vermelha... E é terra de Baiana System, que para mim é a grande novidade da música brasileira dos últimos tempos. Os caras deslocaram o epicentro da música baiana e modificaram o coreto, então pra gente fazer um som nesse caldeirão é muito massa. Ainda não tocamos em Salvador, e temos instiga gigante para que isso aconteça. Baêaaaa minha porraaaa! (risos) A gente bebe muito dessa água e se lambuza todo, viva a Bahia e sua gente, suas cores, sons, crenças e sabores", conclui Macaxeira, naquele entusiasmo.

Muntchako / Muntchako / Produção: Curumin / Zarabatana Records / Disponível em LP e nas plataformas digitais / Preço do LP não divulgado / Download MP3 gratuito: www.muntchako.com

sábado, dezembro 23, 2017

BRILHA, STAR!

43 anos depois, o baiano Edy Star volta com Cabaré Star, um disco com sua personalidade e convidados como Caetano, Ney e Zeca Baleiro

Edy Star, foto Gal Oppido
O dileto leitor tem meia hora pra citar um artista com moral suficiente para reunir em seu disco participações de Caetano Veloso (em duas faixas), Ney Matogrosso, Angela Maria, Zeca Baleiro e Filipe Catto.

Pode pensar, a gente espera.

Esse cara é Edy Star, uma lenda viva do rock e da MPB que, aos 80 anos, lança seu segundo álbum solo 43 anos depois do primeiro, Sweet Edy (Som Livre, 1974) – e 46 anos depois do disco pelo qual é mais lembrado, o clássico A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (CBS, 1971), gravado em grupo  com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Míriam Batucada.

Cabaré Star, o tardio e mais que bem-vindo retorno, é uma pérola do ano que finda e traz participações dos artistas citados, mais Raul Seixas e Emílio Santiago, in memoriam.

Os responsáveis pela façanha, além do próprio Edy são Sergio Fouad e Zeca Baleiro, que produziram o disco e o lançaram pelo selo deste último, o Saravá Discos.

“Quando começamos a trabalhar, o Zeca falou: ‘seu disco não pode ser 8 nem 80, tem que ser mil’. Então estou muito satisfeito”, conta Edy.

Sem pisar em estúdios profissionais há décadas, Edy confessa que ficou um pouco perdido logo de início: “Eu chorei no estúdio, eu não estava preparado. Mas a generosidade do Zeca foi imensa. Eu não tinha ideia de como funciona para gravar. Mas é maravilhosa a tecnologia que se usa agora”, conta, por telefone.

Há uns dois anos, Edy postou um vídeo em suas redes sociais pedindo ajuda para gravar um álbum novo – no qual também deu aquela choradinha.

“Aí o Zeca me ligou e disse que queria fazer um disco comigo, um disco  com o espírito de um show. Chegamos a ter 80 e tantas músicas para selecionar. Muita gente fez música para mim, mas não deu pra botar tudo”, conta.

“Mas conseguimos fazer um disco como um show de cabaré: com variações de ritmos, de sentimentos, paixões rasgadas, muita gozação. Um disco com a cara de Star”, diz.

"No encarte do disco eu agradeço muito a generosidade do Zeca, que botou os músicos dele à minha disposição. Fizemos um show com os mesmo músicos e o Zeca foi e me elogiou no palco, é um cara que eu amo. Nos conhecemos quando fui num projeto só de músicas do Gonzagão em 2011. Ele sabe muito da MPB, conhece tudo. E gente com cultura me fascina, eu aprendo muito, e ele é impressionante. Agradeço de joelhos", rasga Edy.

Sessão das Dez: Edy, Míriam Batucada, Sérgio Sampaio e Raulzito
Coautoria reconhecida

Em Cabaré Star, Edy homenageia os três parceiros da Sessão das Dez gravando canções suas – e faz um verdadeiro inventário de malditos brasileiros.

De cara, o álbum abre com Eu Fiz Pior, do pernambucano Lula Côrtes (1949 - 2011), que ele classifica como “O maior roqueiro do Brasil”.

"Lula Côrtes foi o maior roqueiro do Brasil. Gosto muito de Erasmo, de fulano e beltrano, mas me perdoem, o maior roqueiro do Brasil foi Lula. Ele teve uma vida sofrida. O admiro há muito tempo. Quando o conheci, ele tava tocando um instrumento de três cordas nos primeiros shows de Alceu Valença, isso em 1972, era um cara que já tinha paixão, ele tinha um jeito de falar muito engraçado. Aí ano passado eu fui fazer um festival no Recife, o Desbunde Elétrico, com uma homenagem ao Lula. Eu cantei O Clone e disse que o primeiro disco que eu gravar, ponho uma música do Lula", relata.

Outro acerto foi incluir Procissão, parceria com Gilberto Gil (gravada no álbum Louvação, 1967) e que só em 2008 passou a levar também sua assinatura.

“Talvez por relaxamento meu, nunca procurei acertar isso. Até que em 2008, estava com câncer e pensei que iria morrer e nunca ser lembrado, nem por uma música. Aí entrei em contato com a GG Produções fizemos um ‘acordo de cavalheiros’”, conta.

“Vale dizer que em todo esse tempo Gil nunca negou minha participação, até brincávamos a respeito e meu nome estava nos créditos do filme Roda e Outras Estórias (de Sérgio Muniz, 1965)”, reitera.

Breve resumo

Baiano de Juazeiro, Edy é um pioneiro de muitas coisas. Foi o primeiro artista brasileiro a assumir sua homossexualidade, foi pioneiro do glam rock, atuou na primeira montagem brasileira do musical Rocky Horror Show – e por aí vai.

Aos 13 anos, veio de Juazeiro com os pais, que, já cientes do pendor artístico do menino, o inscreveram no Hora da Criança, instituição educativa criada pelo jornalista Adroaldo Ribeiro Costa.

Aos 20 e poucos anos, largou um emprego na Petrobras para fugir com um circo. Nunca mais saiu do meio artístico.

Depois do Sessão das Dez, passou a se apresentar como ator e performer em teatros e casas noturnas.
Foi preso pelos militares na ditadura.

Em 1992, foi embora para a Espanha, onde trabalhou como diretor de teatro. Voltou ao Brasil em 2010.

Cabaré Star / Edy Star / Produzido por Sérgio Fouad e Zeca Baleiro / Saravá Discos / CD: R$ 26,90



MAIS QUATRO PERGUNTAS PARA EDY STAR

(A ligação caiu e não consegui mais falar com Edy. Aí enviei as últimas peguntas que tinha e ele me respondeu da maneira que está aí embaixo, com sua grafia característica, trocando os "e" por "y" e outras excentricidades. Como aqui no RL adoramos excentricidades, publico as respostas dele exatamente como ele me enviou).

Quantas participações de primeira! Quantos artistas de renome não um braço para ter Caetano, Ney, Ângela Maria, Zeca Baleiro e Filipe Catto em seu disco (para ficarmos nos vivos). Tem noção do peso que deu ao disco todas essas participações?

Edy Star, foto Gal Oppido
=...juro que não tinha a intensão de dar peso ao disco, mas sim de eStar cercado de bons amigos, y criou uma responsabilidade, pois teria que ser um BOM disco... coisa que a indicação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a Melhor Album de 2017 me disse que eu estava no caminho certo... Ninguem foi chamado por eStar na mídia ou ser o sucesso da vez, y graças aos Deuses todos eles me responderam imediatamente se colocando à disposição... Y aqueles que não estão cantando estão presentes também, por exemplo todos os Kavernistas (tem música do Sérgio Sampaio, da Miriam Batucada, y do Raul Seixas), o querido Zé Rodrix, Odair José...Como diria o velho sábio poeta Vinicius ‘...eu não ando só, só ando em boa companhia...’ ..aliás, eu bem gostaria de saber o que Caetano (que é referência 3 vezes no disco) achou do CD...

Porque levou tanto tempo pra ser creditado como coautor de Procissão? O que você lembra da ocasião da composição com Gil?

=...talvez por relaxamento da minha parte que nunca procurei acertar essa coisa. Até que em 2008, eu estava com câncer y pensei que iria morrer y nunca ser lembrado, nem por uma música... Y entrei em contato com a GG Produções fizemos um ‘acordo de cavalheiros’ y foi tudo resolvido... Mas, vale dizer que durante todo esse tempo o Gil nunca negou minha participação, inclusive brincávamos a respeito y meu nome estava nos créditos do filme Roda e Outras Canções, y no programa do show Pois É (Vinicius de Moraes, Gilberto Gil y Maria Bethânia – Teatro Opinião RJ)... =...lembro bem do Gil fazendo o seu show de despedida no Teatro Vila Velha (iria se casar y morar em São Paulo) y mostrou uma música que só tinha a primeira estrofe... Eu nesse tempo fazia shows na Galeria Bazarte y vi a oportunidade de talvez entra no grupo fechadíssimo do Nós Por Exemplo (que era o pessoal da bossa-nova por lá). Fui pra casa, matutando y fiz todo o resto da canção. No sábado seguinte, durante a festa de casamento do Gil (no Clube dos Oficiais – na Policia Militar, no Dendezeiros) eu lhe entreguei a letra completa, que ele leu, cantarolou, y achou ótima... Y a guardou no palitó... y a vida seguiu, até a saída do seu compacto na RCA Victor y não  constava meu nome, causando comentários na imprensa y entre os amigos que sabiam do caso...

Como está vendo a situação atual do Brasil pós-golpe? Está preocupado?

=...só vejo os golpes que levamos diariamente, o nosso país no momento resolveu assumir que é uma grande feira de poderosos lobos, como uma grande máfia de clãs, onde se vende posições y vantagens em troca de continuar no poder... Y o povo está fora... Com a censura se instalando escandalosamente, com o tal ‘politicamente correto’ ... Me preocupo em ficar vivo, fazer minha música y conseguir shows pra pagar minhas responsabilidades, quanto ao resto... O braZil NÃO TEM JEITO... depois de viver 22 anos fora do país posso analisar friamente, não posso ter voltado pra viver da esperança de que vai mudar, que vai melhorar... pergunta lá fora quem quer voltar? ...y num posso me manifestar porque ainda tem o patrulhamento, ah menino, para com isso...

Está rodando com o show do disco? Alguma chance de vermos um show seu em Salvador?

=...é ideia fazer uma série de shows CABARÉ STAR com convidados, sim... quem sabe, poderia ser uma serie pra TV... No mês passado, por minha conta y risco peguei uma casa famosa em São Paulo y fiz o lançamento do CD... precisava, né? ... y foi uma festa linda possuir num palco o Zeca Baleiro, a Maria Alcina, Odair José, o Ciro Barcelos y Dzi Croquettes, y aquela Banda... um show fantástico y inesquecível... =...Claro que há chances de espetáculo em Salvador, como em qualquer outra cidade, basta me chamarem... Seria alegria total eStar junto com Gerônimo, com Morgana, com Claudia Cunha, rever Waldir Serrão, Carlinhos Gazineo, tudo de bom, né? Mas, durante todo esse tempo tenho feito shows em Juazeiro, Poções, Jequié, Vitória da Conquista, y outras, mas nunca me chamaram a Salvador... fazer o que? ... é a vida... tá tudo bem, no próximo mês completo 80 anos, ainda inteiro y vivo sob as graças dos Orixás y do Senhor do Bomfim... sorry periferia...


BÔNUS: SWEET EDY (1974)