terça-feira, dezembro 12, 2017

QUATRO MEIOS PARA MAVIAEL MELO

Maviael Melo lança CD, DVD, LP e livro com show quinta-feira na Casa do Comércio


Foto Sidney Rocha
Um dos nomes mais importantes da cena contemporânea do cordel e cantoria, Maviael Melo está realizando um projeto muito importante para sua carreira, lançando o registro ao vivo do seu show Áries da Canção em CD, LP, DVD e livro.

"O conteúdo de cada mídia é o mesmo, gravado ao vivo no teatro Módulo em maio desse ano, a diferença está no LP, que por conta do tempo de execução do vinil são apenas 9 faixas, enquanto o CD e DVD tem 17. O critério para a escolha das faixas do LP foi em colocar as músicas autorais", conta Maviael.

Para marcar a ocasião, o show é reapresentado nesta quinta-feira, no Teatro Sesc Casa do Comércio.

Pela foto ao lado, vê-se que a produção é caprichada, com uma banda substancial de grandes músicos, cenário e iluminação, tudo nos conformes.

“A alegria maior de Áries da Canção foi poder contar com uma turma de músicos e artistas que se identificam com o nosso pensamento em se fazer arte na perspectiva de que a música tem que ter leveza e verdade. O erudito e o popular necessariamente não segue nesse contexto ao pé da letra e sim as experiências que fizemos durante quase dois anos em show onde o violino dialogava com a flauta, o violoncelo com a clarineta e a sanfona a da o toque regional mais popular”, afirma o artista.

“Na gravação contamos com João Omar (filho de Elomar, violoncelo), Marcelo Fonseca (arranjos e direção musical), Gabi Guedes e Ferret (percussões), Cicinho de Assis (sanfona), Kito Matos (violão de sete cordas), Rodrigo Sestrem  (flauta) e Ivan Sacerdote (clarineta)”, lista Maviael.

Em suma, uma turma muito – muito! –  boa. Mas não acabou, não. “Ainda como convidados tivemos Xangai, Maciel Melo, Alisson Menezes e Celo Costa. Sem contar com a equipe de produção, que teve a direção de Andrezão Simões, e cenário de Fátima Falcon e Nyala (Mimo Arquitetura)”, acrescenta. O homem não é fraco, não. Olho nele.

Cartas em cordel

Foto Rosilda Cruz
Pernambucano que vive desde 2005 na Bahia (perderam, pernambucanos!), Maviael batalhou crowdfunding e patrocínio privado para viabilizar o mesmo lançamento nas quatro mídias.

“A gravação, produção e lançamento de Áries da Canção foi toda feita com apoio privado e investimento próprio. Para viabilizar, foi criada uma campanha de financiamento coletivo direto, com vendas antecipadas do álbum”, conta.

“Com isso, além de algumas empresas que adquiriram cotas maiores, alguns amigos e parceiros também compraram antecipadamente, possibilitando assim todo o processo de produção”, acrescenta.

Criado em uma família de onze irmãos, Maviael conta que cresceu cercado do que havia de mais nobre em cultura popular. O pai e os tios chegavam a se comunicar por cartas escritas em forma de cordel. Não deu outra: “Eu acompanhava meus irmãos e irmãs mais velhos em saraus. Em casa durante todo o dia, sempre tinha música tocando. Elomar, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Fagner, Belchior, Sérgio Sampaio, Elba Ramalho e tantos outros artistas que permearam a minha formação musical e poética”, conta.

“A poesia em casa era a comunicação natural. As cartas trocadas por meu pai E os irmãos dele eram todas em cordel”, lembra.

"Eu cheguei na Bahia em 2005 para participar de um festival de música, na época o Unifest, em dezembro. Logo após o Festival apareceu-me um convite de fazer algumas cantorias em Salvador, a partir daí fui conhecendo pessoas e percebendo que a declamação dos cordéis durante as cantorias fazia a diferença. Isso foi abrindo portas e criando oportunidades de me fixar na Bahia. A partir desse movimento, o cordel começou a ser utilizado, em 2007, em atividades voltadas para educação ambiental junto com a música. O natural que seria ir para Recife, onde já tinha alguns contatos, foi ficando mais natural aqui em Salvador e nisso já são 12 anos a se completar em 17/12/2107. Ficando a alegria que a Bahia me recebeu assim como eu a ela. Vale lembrar que todas as minha formação escolar e universidade a partir dos 15 anos foi prioritariamente feita e Juazeiro-BA. Como se diz lá em Petrolina e Juazeiro eu sou PEBA", relata o poeta.

No CD / DVD e no show, a pegada é essa: cultura popular com pegada erudita, um deleite para quem ainda acredita na arte: “Áries da Canção é um sonho, uma inquietação poética de fazer pela arte com o propósito de oferecer algo novo. Por vezes fui questionado se valia a pena investir tanto se está tudo mais fácil com o advento da internet e que lançar um Álbum com CD, DVD, LP e um livro não era investir sem necessidade, e sempre na minha percepção era do contrário, as pessoas terão o acesso também pela internet, tanto que já lançamos no dia 08/12 o CD em todas as plataformas virtuais, estamos soltando faixas do DVD pelo nosso canal do YouTube. Mas ter o material físico é o que mais me satisfaz nesse momento, ver o filho nascer”, conclui Maviel. Bravo.

Áries da Canção: lançamento do CD, DVD, LP e Livro de Maviael Melo / Convidados: Roberto Mendes, Flávia Wenceslau, Alisson Menezes, Celo Costa e João Sereno / Quinta-feira, 20h30 / Teatro SESC Casa do Comércio / R$ 40,  R$ 20

NUETAS

Toninho na Bahia

Um dos artíficies do Clube da Esquina, o guitarrista Toninho Horta está na cidade hoje, cumprindo dupla agenda. Às 15 horas, ele lança songbook (com pocket show) na loja Foxtrot (Shop. Bela Vista). À noite (21 horas), ele participa de uma edição especial do Jazz na Avenida (Armação, ao lado da Boi Preto). R$ 30, estudante de música paga R$ 20.

Matita Perê no Sesi

Dona de um dos discos mais bonitos do ano (Reino dos Encourados), a banda Matita Perê faz mais um show no Teatro do Sesi amanhã, às 20 horas, R$ 30. Recomendado!

My Friend is a Gray

Rapaziada ligada no stoner e cheia de gás, a banda My Friend is a Gray é a atração do programa on line Berlim Puro! desta quinta-feira. Assista no www.vandex.tv, 20h30.

Barulho, Náusea, Aborígenes

A Barulho S/A é a anfitriã de mais uma edição do Let’s Rock Itapuã, recebendo  as  bandas Náusea (de Santo Amaro) e Aborígenes (Alagoinhas). Sábado, no Casarão de Itapuã (em frente a Sereia) 21 horas, R$ 10.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

PODCAST ROCKS OFF FAZ RODADA FINAL DE LANÇAMENTOS 2017

A deusa Liela Moss, do Duke Spirit
O podcast Rocks Off volta ao ar fazendo aquela boa e velha (ops) rodada de novidades.

Nesta edição, botamos na roda faixas novas do Van Morrison, Duke Spirit, Oh Sees, Danielle Lupi & Parquet Courts, Greg Allman, Neil Young, Beck, Mark Lannegan et al!

No final, uma singela homenagem ao late great Fats Domino.

Gravado no mesmo dia da morte de outro late great, Johnny Hallyday, o Elvis francês.

Não deu tempo de incluí-lo no programa, mas fica aqui o registro e um vídeo supimpa do homme mais abaixo...

Com Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr. e este blogueiro que vos fala.



Bônus: Johnny Hallyday, Le Penitentier (versão do clássico House of The Rising Sun)

quinta-feira, dezembro 07, 2017

IRMÃO CARLOS NO BIG BANDS SÁBADO PASSADO

Engrenagem da Ilusão (composição de Irmão Carlos)



Registrado durante o festival Big Bands 2017, na Feira da Cidade (canteiro central da Avenida Centenário), no dia 02 de dezembro de 2017. Voz: Irmão Carlos Guitarra: Silvio de Carvalho Baixo: Daniel Figueiredo Bateria: Sidney "Rasta" Santos

Porra de Barzinho de Rio Vermelho! (composição Irmão Carlos)



Registrado durante o festival Big Bands 2017, na Feira da Cidade (canteiro central da Avenida Centenário), no dia 02 de dezembro de 2017. Voz: Irmão Carlos Guitarra: Silvio de Carvalho Baixo: Daniel Figueiredo Bateria: Sidney "Rasta" Santos

A POESIA MUITO VERBAL DE UM DESIGNER GRÁFICO

Hoje: Mauro Ybarros, conhecido designer visual, lança seu primeiro livro de poesia em jam de blues

Mauro Ybarros, foto Felipe Brust
Designer gráfico admirado, jazzófilo “doente”, boêmio incorrigível. Para completar o cardápio do quarentão charmoso, só faltava à Mauro Ybarros lançar um livro de poemas.

Não falta mais: Algum Blues Aqui Dentro é o seu livro de estreia, e o lançamento, amanhã, não poderia lhe ser mais adequado: numa jam de blues.

Indisciplinado como todo boêmio digno de tal classificação, Mauro escreve livremente: sem rima, sem métrica, as palavras jorrando de canetas emprestadas de garçons amigos direto em guardanapos sobre mesas tronxas de boteco de rua.

"(Escrevo) Em qualquer lugar: tou sempre com meu(s) cadeninhos de notas, e na falta deles, os óbvios guardanapos, pedaços de cardápio ou verso de embalagem do cigarro. Escrevo no final de um filme onde minha namorada dormiu antes de acabar, fazendo o café pra alguém que não vem, esperando alguém que marcou comigo aparecer – e se atrasando... Escrevo na hora em que um filme que adoro vai começar ou quando algum blues toca e eu me lembro onde eu tava há mais de 20 anos – exatamente na hora em que esse mesmo blues tocou. Escrevo quando tou apaixonado (e tou sempre me apaixonando) e escrevo quando termina o amor (e ele tá sempre me terminando). Não tem hora nem lugar: tem eu, ali, espirrando, tossindo e exalando isso que tenho por dentro", conta Mauro.

E então está tudo ali: as dores, os amores, as perdas, o dia a dia, o tédio, a música, o horror.

“Disseram uma vez que a poesia é a forma que as palavras encontraram pra dançar. Portanto, de tanto jazz que ouvi na vida, não posso querer enquadrar palavra nenhuma em métrica alguma”, afirma.

“O sentimento vem, pede pra ser exposto, e sai. Se ele vem metrificado, já não é mais comigo, e eu deixo o fluxo acontecer sem controle. Umas palavras se arrumam. Outras se perdem. O que saiu, saiu: tou chamando poesia”, diz.

Maurão, foto Felipe Brust
Poesia analógica

Profissional reconhecido no seu meio, Mauro conseguiu publicar seu livro a partir de permutas com agências de propaganda e gráficas com as quais trabalha no dia a dia.

E aí resta a pergunta: quem ainda lê poesia hoje em dia? Ou talvez, uma pergunta menor ainda: quem ainda lê?

“Penso que talvez ninguém saiba que lê poesia hoje em dia. Mas acredito que, se tem gente que ainda vai em feiras de artesanato, compra discos em vinil e valoriza filmes feitos em animação tradicional, deve ter gente que ainda acredita que coisas analógicas, valvuladas, feitas em papel, tesoura e pedra têm seu valor”, diz.

“E, definitivamente, tem gente que gosta – até hoje – de Chico, Lupiscínio, Cazuza e Dolores Duran. Portanto, tem gente que sabe que houve uma época onde se falava de dor, amor e ardor sem ninguém pra chamar isso de rima pobre”, conclui Mauro.

Dizem que todo poeta tem um tal de "eu lírico" - seja lá o que for isso. Qual seria o "eu lírico" de Mauro Ybarros? "SAUDADE. - A-DO-RO essa palavra. A-DO-RO a ideia de que ela não tem tradução em outras línguas. Adoro lembrar que Janis Joplin falou que “blues é ter saudades de algo que você não sabe o que é”. Meu eu-lírico é essa coisa que queria ter mas que não me deram. Aquela menina cantando “esse seu jeito / sexy de ser”. Ser pai de um filho que a mãe resolveu que era só dela. Ou ser o cara que espera o beijo antes da mordida. É morar numa cidade que podia ser um monte de coisas e se contenta em ser o que deixam ela ser. Tudo isso é meu eu-lírico: não ter o que eu queria, não ser o que eu gostaria, ou ter que ser o cara que mandam beijar antes de falar – tipo como dizem no carnaval: “cala boca e beija logo”. Calar a boca? Eu?", filosofa.

Mas porque escreve o poeta? Ah, essa é a pergunta mais difícil de todas:"Essa talvez seja a mais complicada... Acho que preciso escrever porque é importante deixar sair o que nos oprime, nos aperta, nos asfixia. Sentimentos bons, sentimentos ruins, tudo que aparece e não pergunta se pode chegar – mas chega e fica, sem nem querer saber o que a gente acha disso. Então, pra deixar isso ser devidamente processado e depois, devolvido ao mundo, é que escrevo. Escrevo porque preciso, escrevo porque é devido devolver ao mundo o que entra em nós sem preguntar porque. E, talvez, porque escrever é a única maneira que eu tenho de fazer sair de mim o que existe em excesso. Terapeutas recomendam escrever. Fiz diários na adolescência, durante nos a fio, sem nem saber que tava me analisando... Tem gente que bebe, tem gente que fuma, tem gente que trepa – e eu? Acho que fumo, bebo e trepo só porque escrevo pouco", afirma.

Lançado o livro, o que vem depois? Leituras públicas, festas literárias, academia? Que espécie de marginal é você, Mauro?

"No dia do lançamento, acho que não (vou fazer leitura). Vai ter show de blues, e não sei se vou ter espaço. Se der, e as pessoas quiserem, leio sim. E se me convidarem pra saraus, eu vou. Acho que poesia é o tipo da coisa que precisa andar pendurada no pescoço da gente, como as melancias e bacalhaus do chacrinha: quem quiser ver, vai ver. Mas só vê se estiver pendurado no pescoço de alguém. Já minha fama de mau fica no mesmo lugar de sempre: guardadinha no tal pequeno frasco onde tão os piores perfumes... De perto, sou o mesmo menino bobo do salesiano, apaixonado pela menina da sétima serie A... Como diria Gil, “só quem é clarividente / pode ver”. E não, não irei à academia de letras. Se tem algo que tenho certeza que não sou é um cânone das belas letras. Falo de dores, amores perdidos, humores mal resolvidos e venenos antimonotonias: como é que eu seria recebido por gente que usa farda, adora ACM e toma chá? E, claro -  se ser marginal é quem anda à margem, é questão de escolha estar onde estou: procurar o centro é coisa de iogues, coachers e fãs de paulo coelho. Do centro pra periferia de mim, Circular via Amaralina – aceito vale e aceito passe", divaga o poeta.

Quer saber? Acho que eu vou deixar Mauro falar mais um pouco. O que ele quiser falar. Fala, Maurão!

"Meu caro, acho que o que eu preciso dizer está escrito nos poemas daquele livro. Amei incondicionalmente, quis amar eternamente, mas tive que dar de cara com a realidade – e isso, definitivamente, não é o que eu queria pra mim. Vivemos num mundo cheio de tensão, de escolhas binárias, cheio de pretos-e-brancos, sem espaço pro sutil, pro suave, pro delicado. E – definitivamente – eu não sou assim. Como dizia Luiz Melodia, “as pessoas que eu amo / eu amo bastante”. E quero acreditar que, falando de poesia, falando do imponderável, usando metáforas e eus-líricos, eu posso tentar ativar sistemas inativos nesse mundo de instagramas... Quero poder dizer que o amor está nas entrelinhas, na casca das coisas, nas flores que não desabrocharam e em tudo que não seja óbvio, solar e luminoso. Quero poder sacudir as estruturas, quebrar os paradigmas e bulir na bunda dos guardas que tomam conta do que 'é certo', sem ter que 'tira-os-pés-do-chão-galera'. E, por fim, quero que 'falar de poesia' seja algo que desmonte o que é correto, objetivo e útil. Quero ser o palhaço do Fellini, fazendo os outros rirem e sonharem, depois tirando a maquiagem em um banheiro de bar, enquanto chega o PF de frango assado ficar pronto", conclui.

Em tempo: o autor está disponível para saraus.

Lançamento do livro Algum Blues Aqui Dentro, de Mauro Ybarros / Amanhã,  19 horas (noite de Blues no Jazz na Avenida) / Av. Simon Bolívar, Boca do Rio​ (​ao lado do Boi Preto)​ / Entrada gratuita

Algum Blues Aqui Dentro / Mauro Ybarros / Independente / 96 p. / R$ 25 / Vendas: www.facebook.com/mauroybarros

quarta-feira, dezembro 06, 2017

ETERNO RETORNO

Natura Musical lança hoje, com show no TCA, caixa com obra d’Os Tincoãs, com direito a apresentação de remanescentes e convidados

Mateus Aleluia, foto do blogueiro
Um dos mais importantes e representativos legados da música baiana será devidamente reverenciado hoje, com um show e um lançamento no Teatro Castro Alves: Nós, Os Tincoãs, reunirá no palco os dois remanescentes vivos do lendário grupo, que tem sua obra resgatada em uma luxuosa caixa com três CDs e um livro, via selo Natura Musical.

Mateus Aleluia, o Tincoã que voltou à Salvador em 2007 após viver décadas em Angola, receberá no palco do TCA Badu, o Tincoã que vive nas Ilhas Canárias (Espanha) e não vem ao Brasil desde os anos 1990.

Badu e Mateus não compartilham um palco há 36 anos.

O sangue Tincoã seguirá no palco com a presença dos dois filhos angolanos de Dadinho (morto em 2000), que nunca vieram ao Brasil.

Mateus Aleluia Filho, outro descendente,  assina a direção musical do show, que ainda terá participações de Margareth Menezes, Saulo Fernandes, Ana Mametto e Ganhadeiras de Itapuã, além de  músicos como Alex Mesquita, maestro Bira Reis e Luizinho do Gêge.

O caráter de gala da noite se completa com assinatura  de Gringo Cardia na cenografia.

“Os Tincoãs tentaram retratar o que a Bahia sempre foi, é e será: a uma mistura de todos aqueles que deram sua contribuição para essa cultura, para a soberania do dendê”, afirmou Mateus Aleluia, durante entrevista coletiva.

“Nesse projeto, nós mostramos a obra dos Tincoãs, essa miscigenação do afro com o barroco sustentado na cultura do povo autóctone em suas diversas nações que aqui já existiam antes da chegada dos portugueses, e que chamamos de índios”, acrescenta.

Formada no final dos anos 1950 em Cachoeira, Os Tincoãs começaram como uma banda de baile típica da época, à base de boleros e tchá-tchá-tchás.

A partir de 1963, com a entrada de Mateus Aleluia, voltaram sua atenção para a música de raiz do Recôncavo, dos terreiros de candomblé e das igrejas barrocas.

“Em 1973 gravamos o primeiro disco (com essa estética) e em 76, gravamos o último”, conta.

O próprio Mateus explica melhor a cronologia dos Tincoãs, que envolve diversos membros.

“O primeiro disco (Meu Último Bolero, 1962, Musicolor) foi com Dadinho, Heraldo e Erivaldo, e ainda era só de boleros. A partir de 73 é Dadinho, Heraldo e Mateus. Em 75, é Dadinho, Morais e Mateus, formação que gravou o disco que tem Promessa ao Gantois (O Africanto dos Tincoãs, 1975, RCA)”, conta.

“Em 76 entra Badu, que gravou o disco que tem Cordeiro de Nanã (Os Tincoãs, 1977, RCA). Badu foi quem mais ficou conosco, até 83. O último disco dos Tincoãs é somente Dadinho e Mateus (1986, CID)”, enumera.

Há dois milhões de anos

Badu, o único outro Tincoã vivo. Foto divulgação
Ancestral e ainda atual, a música d’Os Tincoãs é uma espécie de amálgama perfeito de tradições ocidentais e africanas, a despeito dos seus poucos elementos – as vozes celestiais do trio, um violão tocado de maneira percussiva e as próprias percussões de terreiro.

Não a toa, após décadas esquecida, essa obra extraordinária é reverenciada por nomes como Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Martinho da Vila, Criolo, Emicida e outros.

“A música dos Tincoãs é a música do mundo. Tem música que nós gravamos que tem mais de 2 milhões de anos. São músicas trazidas pelos encantados, pelos orixás, pelos inquices, pelos oguns – e que extrapolam o tempo”, diz.

“Talvez seja isso que faça essa conexão com a juventude e com anciãos como eu, né? É uma música atemporal”, ri  Mateus,  a sabedoria em pessoa.

Não que Os Tincoãs tenham descoberto a pólvora, mas talvez ninguém tenha feito essa abordagem de forma tão bem resolvida quanto eles.

“Antes dos Tincoãs já tinha Joãozinho da Gomeia (1914-1971), que fazia isso. Tinha o maestro Moacir Santos. Me lembro de quatro senhoras, por acaso brancas, da década de 1930, que também faziam isso, no Rio de Janeiro. Talvez nenhum desses tenha feito como Os Tincoãs fez, o amálgama de todas as culturas basilares da formação cultural brasileira em geral e baiana por excelência”, diz Mateus.

“E cantando como nós cantávamos. Eu penso que o principal atrativo d'Os Tincoãs eram os vocais. A forma afro-barroca de cantar. A forma sincopada, originada dos ritmos do candomblé, com os harmônicos dos órgãos da igreja católica”, conclui.

Nós, Os Tincoãs / Com Margareth Menezes, Saulo, Ganhadeiras de Itapuã e Ana Mametto / Hoje, 20 horas / Teatro Castro Alves / R$ 40 e  R$ 20



ENTREVISTA MATEUS ALELUIA
Mais trechos coletados durante coletiva no dia 27 de novembro

A aceitação d'Os Tincoãs: 


Senhor Mateus. Foto do blogueiro
Penso que hoje existem menos barreiras. Na época, as baterias estavam viradas para nosso trabalho. Era como se nosso trabalho estivesse se impondo sobre um mercado, sobre uma política de mercado. E não era bem isso que gente queria. Na verdade, nosso trabalho sempre foi bem aceito pela crítica. Mas ao mesmo tempo, havia um contra-vapor. Ficava aquela coisa meio morna. Hoje a aceitação está maior. A mentalidade das pessoas está mais amainada, as pessoas estão menos belicosas com relação à aceitação de uma modalidade musical. Modalidade musical que é um ícone do candomblé. E o candomblé não chegou aqui como adido cultural ou embaixador. Chegou aqui escravizado. E sem ser considerado cultura, era considerado subcultura. Quem gostava nem queria dizer que gostava. Mas livres pensadores, despojados disso, como Koelreutter, Radamés Gnatalli, grandes personagens da música, Sérgio Cabral – o pai, jornalista, fundador d'O Pasquim, viu? (risos) – reconheceram. Hoje não existe assim, esse bloqueio. Não é que exista também... sei lá, 'venha que eu te amo'. Não é isso.

Recato e digitais:
Mas os Tincoãs não teve contato com Os Afrossambas, por exemplo. Sempre fomos muito isolados, somos mesmo recuados, somos do Recôncavo. Somos tímidos, apesar de ter essa eloquência. Não é timidez, temos é o recato de quem não fala muito. Na hora de falar, diz. Não é meu dia de falar, eu não falo. Na hora de falar, me pronuncio. Então Os Tincoãs sempre foi isso. Talvez tenha sido essa postura que preservou sua forma de ser. Senão, teria sido influenciado por outros grupos, entendeu? Cada um tem que ser como é, né? Tem que obedecer isso aqui (mostra o dedão). Como chama isso aqui? Sua digital! (risos)

Precursores e Cachoeira:
Antes dos Tincoãs já tinha Joãozinho da Gomeia, que fazia isso, tinha aquele maestro de Minas Gerais que eu esqueço o nome direto... (Moacir Santos). Me lembro de quatro senhoras, por acaso brancas, da década de 30, que também faziam isso, no Rio de Janeiro. Talvez nenhum desses tenha feito como Os Tincoãs fez, o amálgama de todas as culturas basilares da formação cultural brasileira em geral e baiana por excelência. E cantando como nós cantávamos. Eu penso que o principal atrativo d'Os Tincoãs eram os vocais. A forma afro-barroca de cantar. A forma sincopada, originada dos ritmos do candomblé, com os harmônicos dos órgãos da igreja católica. Na realidade fomos embalados assim, a noite toda, pelos toques do candomblé. Pertencesse você ao ritual do candomblé ou não. Mas você tinha o elemento macro do candomblé, os toques e cantos, entrando de forma contornada. Você dormia com aquilo, tac-tac-tac...

O auto-exílio em Angola:
Não éramos funcionários nem de uma empresa nem do governo brasileiro. Chegamos lá, cantamos. Fomos numa delegação de 70 pessoas. (..) Mas já vamos ficar. Dada a receptividade de Dirceu Vieira Dias. Dirceu era para Angola, como Dorival Caymmi era para o Brasil. Mais do que isso. Dirceu era um revolucionário, esteve preso com Agostinho Neto, que foi o primeiro presidente da Angola descolonizada. Aí tivemos tanta identidade, coisa que não sabíamos. Ele foi na casa dele buscar nosso disco, Deixa a Gira Girar. Aí ele cantou "Meu pai veio da Aruanda" (trecho de Gira). Aí ele perguntou: 'Aruanda é Luanda, né'? 'Lógico que é a corruptela'! Isso, Angola nem estava ainda independente, mas era um reforço para nós. Era bem na época da Guerra Colonial, 1973, ainda estava em guerra. Angola só se emancipou em 75. Mas quem fazia a guerra eram eles lá, a gente estava 'de boa', vendo a parte poética da guerra. A vida é paz e guerra. É sim e não. É feliz e triste. Não se pode desassociar um do outro. Isso é uma ilusão. Nós aqui não estamos em guerra? Matamos mais do que lá, na época da guerra. São 72 mil (assassinatos) por ano. 

Não tem volta:

Mateus, Badu e Dadinho. Os Tincoãs (1977)
Pra mim, Os Tincoãs cumpriu sua missão. Isso (a caixa da Natura Musical) é uma revisita ao trabalho dele. Não é porque sou remanescente e Badu é remanescente que isso é a volta d'Os Tincoãs. Não é. Que fique bem claro. Pra mim é somente esse trabalho, para que as pessoas saibam que existiu. E cada um toca sua vida. 

Disco novo:
De repentemente, sai lá pra janeiro, ou fevereiro, ou março ou abril... (risos) Nesse país não adianta fazer muito plano. Mas tá pronto, do jeito que o rei mandou.

Expectativa para o show de hoje:
Cada show é uma emoção diferente, mas não deixa de ser uma emoção. Como as mulheres dizem, cada parto é um parto, mas ela sabe que vai parir. Emocionada ou não, vai parir (risos).

Intolerância racial e religiosa:
Na minha época, a intolerância era total. Não vinha só de um lado, vinha de todos. Até quem era do candomblé negava que era. Não era chique, não era politicamente correto. Não era, digamos assim, intelectualmente correto ser (do candomblé). Eram poucos. Pessoas como Jorge Amado, que nem era do candomblé, mas se comportava como se fosse. Deu a chancela dele. Isso tem um valor retado, muito grande. Mas não existe diferença de intolerância. Intolerância é intolerância, ela se basta, e ela tem que ter um basta. É a voz da razão. Por que ninguém vai conseguir levar nada pra frente com intolerância. A única forma que temos de conseguir levar a frente, é ser tolerante com eles, mas sempre dizendo, 'minha pegada é essa'. Nós não mudamos. O candomblé desde que chegou no Brasil, quando veio a primeira expressão humana africana que pisou aqui, o candomblé chegou junto. E existe até hoje. Pensa que naquela época  não existia intolerância? (Existia) Até oficializada e só Deus sabe como. E aqui nós estamos. Não preciso usar conta para dizer a qualquer um que me olhar. Eu sou candomblé. Todo. Eu não sou do candomblé. Eu sou candomblé. Eu sou a essência.

terça-feira, dezembro 05, 2017

ATITUDE: NEGRO ROCK

Reserve na agenda: dia 16, OQuadro lança o espetacular Nêgo Roque no Pelourinho


OQuadro, foto Rafael Ramos 
Coluna aumentada hoje por uma causa nobre: OQuadro, o espetacular grupo original de Paulo Afonso, finalmente lançou seu segundo álbum, o aguardado Nêgo Roque.

Nesta sexta-feira, o septeto aporta nas instalações linabobardianas do Sesc Pompeia (SP) para o show de lançamento nacional. No dia 15 é a vez de Aracaju.

E no dia seguinte, 16, o Largo Pedro Archanjo será o palco do encontro do grupo com seus fãs locais.

No disco, OQuadro pinta aquela sonoridade retada com rap, eletrônica, soul e rock para propor uma retomada do rock pela juventude preta.

Não que a galera tenha deixado o cabelo crescer e pendurado uma guitarra no pescoço.

A parada é mais profunda: “Falamos do rock enquanto atitude. Muito mais que distorção, (rock) é transgressão, tanto na forma de fazer a música quanto no que está sendo dito”, afirma Jef Rodriguez.

“Nesse novo álbum, o discurso está mais direto, colocando em pauta assuntos fundamentais para o momento histórico que estamos vivendo. Houve uma época em que o rock cumpriu esse papel, mas com o passar do tempo, a estética das sonoridades ganha mais atenção do que o espírito questionador que colocava os valores sociais em cheque. Isso também acontece com o rap, e com outros estilos”, acrescenta Jef, indo direto na mosca.

Lançado pelo selo Natura Musical e com patrocínio do Governo do Estado, Nego Roque foi produzido pelo próprio grupo em parceria com Rafa Dias e mixagem de andré t.

Nas tracks, participações preciosas de Indee Styla,  Raoni Knalha (ambos em Luz), BNegão (Nêgo Roque), Emicida e DJ Gug (ambos em Muita onda).

“BNegão é uma referência desde a época do Planet Hemp, a música Nêgo Roque combinou perfeitamente com ele. Emicida é um prodígio da rima, fez a letra na hora e ficou impecável. Raoni e Rafa Dias são amigos desde a época em que fizemos turnê juntos pela Europa em 2013, já temos um entrosamento natural”, diz.

“Indee Styla também é uma amiga que temos já faz um tempo e quando o refrão de Luz nasceu naquele tom, imaginamos a voz dela e ficamos felizes com o resultado. Sem contar que tem teclados de André T, uma guitarra de Chibatinha (ÀTTØØXXÁ) em O Erro Me Atrai. Parcerias que ficamos felizes em ter no álbum”, acrescenta Jef.

Pode vir!

OQuadro, foto Rafael Ramos
Sucessor do álbum homônimo de estreia lançado em 2012, Nêgo Roque pode ter demorado de sair, mas esse é o tempo do artista – e não o da indústria.

“Existem várias nuances nesse processo. Gravar um álbum não é algo simples, gera um custo e queremos sempre fazer o melhor possível. Existe uma velocidade imposta para a produção artística que tem tornado as coisas mais obsoletas, e não sei se queremos entrar nessa onda. Gostamos das coisas menos perecíveis e isso demanda um tempo”, afirma.

"Esse é o nosso álbum mais eletrônico, principalmente se comparado ao primeiro de 2012. É da natureza do hip-hop, a música feita a partir de recortes e samplers, mas quando começamos, não tínhamos acesso aos equipamentos eletrônicos comumente usados na produção de raps, daí fomos usando os instrumentos tradicionais e isso acabou determinando um estilo, uma estética, que virou nossa marca. Hoje podemos transitar pelos timbres e fazer combinações entre orgânicos e eletrônicos, abrindo ainda mais possibilidades", acrescenta.

Exuberante, a sonoridade de Nego Roque passeia por diversos ritmos e texturas da música pop contemporânea, resultado da vivência de quem respira música todos os dias.

"É uma pesquisa espontânea. Escutar músicas todos os dias nos faz perceber que as células rítmicas conversam e se conectam. Seja entre o Trap e o Punk Rock, entre o Dance Hall e o samba do recôncavo, entre o Zouk e o Samba Reggae, enfim, somos apenas ponte para essas conexões. No geral, uma ideia estimula outra e vira uma reação em cadeia. Nesse álbum tivemos letras que nasceram no estúdio, músicas que nunca foram ensaiadas antes, resultado de experimentações. O entrosamento e a confiança no outro talvez sejam a base para essa fluidez", detalha.

Como se vê, essa rapaziada não está aí para mero entretenimento, e sim para mandar seu recado: na veia, contundente, incômodo para mentes ditas (cof cof) “conservadoras”: “Não há fordismo na minha poesia, degusto o ócio e a lentidão na produção de cada linha. Indo de encontro a velocidade imposta na linha de montagem, meus versos nascem do estado de greve daqueles que vivem à margem”, avisam eles, em Pode Vir.

Meio eletrônico, meio orgânico, o novo trabalho do septeto de Paulo Afonso é o disco perfeito para fechar 2017 sambando na cara dos caretas: “ É preciso reconhecer que a indústria cultural cumpre um papel fundamental na forma como somos educados a consumir arte. O produto artístico mais veiculado é aquele que apenas entretém, principalmente para quem vive uma jornada intensa de trabalho”, afirma Jef.

“A mesma indústria que se apropria da música negra e coloca rostos brancos sorridentes para divertir o povo. Isso acontece no rock, no samba, na música baiana. Se o jovem negro abriu mão do rock, é apenas um reflexo do recorte racial que a indústria faz desde sempre”, conclui.

OQuadro é Jef Rodriguez (voz), Nêgo Freeza (voz), Rans Spectro (voz), Ricô (voz/baixo), Rodrigo DaLua (Guitarra e Synth), Vic Santana (bateria), DJ Mangaio (programações) e Jahgga (percussão).

E aí, foi boa a aula?

OQuadro: show de lançamento Nêgo Roque / Dia 16, Largo Pedro Archanjo, Pelourinho / Horário e ingressos a divulgar / www.facebook.com/OQuadromusica



NUETAS

Ronei Jorge sexta

Ronei Jorge faz aquele show bacana e astral que gente adora. Sexta-feira, Tropos Gastrobar. 21 horas, pague quanto quiser.

Flerte & Porn sexta

As bandas Flerte Flamingo e Soft Porn se apresentam  no Qattro Gastronomia & Cultura (Rua Fonte do Boi, Rio Vermelho). Cabelos ao vento, gente jovem reunida. Sexta-feira, 21 horas,  gratuito.

Lívia, BNegão, Vandal, Áurea, Ministereo

O evento Coro de Rua traz a cantora  Livia Nery convidando os rappers BNegão, Vandal e Áurea Semiséria, com o Ministereo Publico mandando ver nos beats invocados. A parada é na rua – Rua do Couro, Ladeira da Barroquinha. Domingo, dia 10, a partir das 15 horas. Gratuito. Beba água e não esquece o filtro solar.

sexta-feira, dezembro 01, 2017

HOJE E AMANHÃ TEM JARDS MACALÉ NO RUBI, ESQUEMA VOZ E VIOLÃO. MAS SEM ESSA DE SHOW INTIMISTA, OK?

Coautor de Vapor Barato, o grande Jards se vê livre do rótulo de maldito - e se prepara para gravar novo álbum de inéditas

Jards. Foto Caroline Bittencourt
Tropicalista histórico, autor de clássicos da MPB, músico extraordinário, Jards Macalé dispensa apresentações.

Hoje e amanhã, o coautor de Vapor Barato (com Waly Salomão) se apresenta no Café-Teatro Rubi em esquema voz & violão.

Mas sem essa de “show intimista”, OK? O homem não tem mais paciência para clichês caindo de velhos.

“O repertório tem algumas músicas minhas com parceiros como Capinam (Gotham City, Movimento dos Barcos), Wally, Torquato Neto (Let's Play That) Vinícius (O Mais Que Perfeito), Duda Machado (Hotel das Estrelas) e algumas coisas de outros autores”, conta Jards, por telefone,  do Rio.

Carioca “da gema”, faz questão de enfatizar, Jards tem, ao longo de sua carreira, ligações diversas com a Bahia.

“A começar pelos parceiros: Wally, Duda Machado, Glauber Rocha, Rogério Duarte. Tenho músicas com todos esses baianos. E não só isso: quando (Maria) Bethania veio fazer a peça Opinião (de Augusto Boal) no Rio (em 1965), ela ficou hospedada lá em casa. Tive direção musical de Gal Costa em discos meus e fiz discos com ela, como Le-Gal (1970) e Cultura e Civilização (1969), seu disco mais radical e menos conhecido”, lembra.

“Tenho essa ligação natural com a Bahia. Mas sou carioca da gema”, afirma.

Olha ele aí de novo. Foto Felipe Diniz
Disco novo em 2018

Coincidentemente, nesta semana mesmo, Jards recebeu uma ótima notícia, ao ser contemplado no edital 2018 da Natura Musical para gravar um novo álbum de músicas inéditas - o primeiro desde Macao, de 2008.

“Tô vendo aí, vou começar a preparar o repertório. Tô selecionando algumas coisas já compostas e  criando outras coisas novas”, conta.

Apesar da carreira brilhante e cheia de sucessos, Jards teve colado em si, durante muito tempo, o incômodo rótulo de “maldito”.

“Mas isso já foi, já passou, tá resolvido pra mim. Mas aconteceu por que, até a metade da década de 80, toda referência (sobre Jards  Macalé) era em relação às décadas de 60, 70. A coisa do maldito, do marginal, fazia sentido naquela época. Era até elogio”, diz.

“As outras gerações, mais novas, nem sabiam que eu era ‘maldito’. Virou uma pecha, que eu próprio comecei a rejeitar. Pô, eu já tinha trabalhos em cinema, teatro, artes plásticas – tudo sempre vinculado à música, claro. Aí na Bahia fiz o papel do Pedro Archanjo, no filme Tenda dos Milagres (1977), de Nelson Pereira dos Santos (baseado no livro de Jorge Amado)”, enumera.

Jards Macalé / Hoje e amanhã,  20h30 /  Café-Teatro Rubi – Sheraton da Bahia Hotel / R$ 80